25 de mar de 2009

Agência paulista de fomento quer parceiros internacionais

O presidente da Nossa Caixa Desenvolvimento, Milton de Melo Santos, esteve ontem na Câmara Árabe em busca de contato com instituições do mundo árabe que queiram financiar pequenas empresas.

Santos: pequenas indústrias são as que mais sofrem com a crise
São Paulo – A Nossa Caixa Desenvolvimento, agência de fomento recém criada pelo governo paulista, quer encontrar parceiros internacionais para seu projeto de financiar pequenas e médias empresas do estado. Com esse objetivo o presidente da instituição, Milton Luiz de Melo Santos, que até pouco tempo era o principal executivo do banco Nossa Caixa, esteve ontem (23) na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, onde teve uma reunião com o presidente da entidade, Salim Taufic Schahin.

“Temos interesse em fazer operações com recursos.. de agências de fomento estrangeiras que queiram aportar dinheiro em empresas de descendentes [de imigrantes]. Os países árabes têm um volume expressivo de recursos e o Brasil, por conta da crise, é um dos poucos países hoje em condições de receber capital estrangeiro”, afirmou Santos.

O Brasil concentra a maior comunidade de origem árabe fora do Oriente Médio e do Norte da África. A nova instituição vai buscar parcerias também nos países de origem de outras grandes colônias de imigrantes e descendentes de São Paulo, como Japão e Itália.

Segundo o executivo, a agência vai financiar capital de giro, aquisição de bens de capital e operações de comércio exterior de pequenas e médias empresas. Ele acrescentou que as companhias de menor porte foram selecionadas como alvo por serem as que mais sofrem com a crise, especialmente as do ramo industrial. “São empresas que sofrem, por um lado, com uma retração brutal da demanda e, por outro, com a dificuldade de financiamento de seu capital de giro”, declarou Santos.

Para efetivamente auxiliar essas companhias, de acordo com Santos, os financiamentos serão longos, com período de carência e taxas de juros “competitivas”, e a instituição pretende ter uma atitude “pró-ativa” na captação de clientes, com a identificação de setores prioritários e a formação de canais de comunicação com as companhias por meio de entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Federação da Agricultura (Faesp) e a Associação Comercial (ACSP).

Para as linhas de crédito, a agência vai utilizar capital próprio e de terceiros como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e órgãos de fomento internacionais. A nova instituição nasce com um capital de R$ 1 bilhão, utilizando parte dos recursos da venda do banco Nossa Caixa para o Banco do Brasil. A utilização do nome Nossa Caixa Desenvolvimento foi negociada com o BB, segundo Santos.

A própria criação da agência decorre em parte por causa da venda da Nossa Caixa, pois o governo do estado ficou sem ter um banco oficial que possa apoiar suas políticas públicas. De acordo com Santos, com a nova instituição o governo terá como alocar melhor os recursos para incentivar o setor produtivo. Será o instrumento de execução de políticas anticíclicas que possam reduzir o impacto social da crise, ou seja, impedir o aumento do desemprego frente à desaceleração econômica.

De acordo com dados já levantados pela agência, o estado tem cerca de 1,75 milhão de empresas, sendo que quase 1,5 milhão são de pequeno porte. Sessenta por cento delas estão localizadas na Região Metropolitana de São Paulo, especialmente nas áreas de comércio e serviço, seguidas pela indústria. Os empreendimentos agropecuários estão em sua maioria no interior. Alguns segmentos já identificados como prioridades da instituição são os de autopeças e de bens de capital, que antes da crise vinham num ritmo de crescimento acentuado e agora sofrem com a redução da demanda e a escassez do crédito.


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