3 de mar de 2009

Exportação em fevereiro foi 14,4% maior que em janeiro

Assessoria de Comunicação Social do MDIC
As exportações brasileiras somaram, em fevereiro, US$ 9,588 bilhões, com média diária US$ 532,7 milhões, valor 20,9% menor que o verificado em fevereiro de 2008 (US$ 673,7 milhões), mas 14,4% maior que o de janeiro deste ano (US$ 465,8 milhões). Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, em entrevista coletiva concedida hoje (2/3) no MDIC, as exportações no mês mantiveram a tendência histórica de desempenho médio diário superior ao verificado em meses de janeiro, como foi observado em outros anos como 2008 e 2007. “O mês de fevereiro, mesmo tendo feriado de Carnaval, foi muito melhor para o comércio exterior brasileiro que janeiro”, enfatizou.

Os valores importados em fevereiro chegaram a US$ 7,821 bilhões. Pelo critério da média diária, o desempenho no mês – US$ 434,5 milhões – foi 11,5% menor que o verificado em janeiro de 2009 (US$ 490,8 milhões). Sobre as importações em fevereiro de 2008, quando a média diária chegou a US$ 628,9 milhões, a retração foi de 30,9%.

Exportações

A média diária das exportações apresentada no mês ficou 20,9% menor do que a verificada no mesmo mês do ano passado (US$ 673,7 milhões). Porém, em relação ao desempenho médio diário em janeiro último (US$ 465,8 milhões) houve crescimento de 14,4%. As exportações nos meses de fevereiro de 2008 e de janeiro de 2009 totalizaram US$ 12,800 bilhões e US$ 9,782 bilhões respectivamente.

No comparativo com fevereiro de 2008, houve queda nas exportações de produtos das três categorias: básicos (-2,9%), manufaturados (-26,9%) e semimanufaturados (-28,5%).

Entre os básicos, houve alguns produtos que apresentaram alta sobre o desempenho de fevereiro de 2008, foi o caso de minério de ferro (+13,9%), soja em grão (+49,8%), milho em grão (+68,4%), fumo em folhas (+38,8%) e café em grão (+0,3%). Nas exportações de manufaturados, foram observadas altas nas vendas de óleos combustíveis (+32,3%) e açúcar refinado (+22,9%).Quanto aos semimanufaturados, cresceram os embarques de açúcar em bruto (+55,8%) e alumínio em bruto (+12 %).

Importações

As importações, pelo critério da média diária, apresentaram queda de 30,9% sobre o desempenho verificado em fevereiro de 2008 (US$ 628,9 milhões) e retração de 11,5% sobre o resultado médio diário de janeiro de 2009 (US$ 490,8 milhões).

Em relação a fevereiro de 2008, houve decréscimo nos gastos brasileiros de combustíveis e lubrificantes (-54,4%), matérias-primas e intermediários (-34,3%), bens de capital (-16,7%) e bens de consumo (-7,6%).
De acordo com o secretário Welber Barral, no segmento de matérias-primas e intermediários, houve retração nas importações de insumos para a indústria alimentícia, de minerais, produtos agropecuários não alimentícios, partes e peças intermediárias, acessórios para equipamentos de transporte e químicos e farmacêuticos. Com relação às compras de bens de capital, Barral destacou a “ligeira” alta nos desembarques de maquinaria industrial (+0,8%) e equipamento móvel de transporte (+24,6%).

As importações de bens de consumo apresentaram queda, principalmente, em produtos alimentícios, máquinas e aparelhos para uso doméstico, partes e peças para bens de consumo duráveis, móveis e automóveis.

Ano
Nos 39 dias úteis acumulados até 28 de fevereiro, as exportações brasileiras somaram US$ 19,370 bilhões, com média diária de US$ 496,7 milhões, valor 21,9% menor que o desempenho médio diário das exportações apresentado no mesmo período de 2008 (US$ 636 milhões).

Na mesma comparação, observou-se retração de 21,6% nas importações brasileiras que saíram de uma média diária de US$ 592,8 milhões, nos dois primeiros meses do ano passado, para US$ 464,8 milhões no mesmo período de 2009. As importações, nesse período, somaram US$ 24,305 bilhões e, em 2009, US$ 18,127 bilhões.

O saldo comercial, de janeiro e fevereiro, foi de US$ 1,243 bilhão (média diária de US$ 31,9 milhões). Pelo critério da média diária, o superávit comercial foi 26,3% menor que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 43,2 milhões).

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Declaração de capitais no exterior vai até maio

FERNANDO NAKAGAWA - Agencia Estado

BRASÍLIA - Pessoas físicas e empresas têm até 29 de maio para entregar a declaração anual de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE). O prazo começa no dia 30 de março e os dados referem-se ao ano-base 2008. Estão obrigados a declarar todos os brasileiros e pessoas jurídicas com no mínimo US$ 100 mil - ou valor equivalente em outra moeda - no exterior em 31 de dezembro de 2008.

Segundo o BC, devem ser incluídas nessa conta os depósitos no exterior, empréstimo em moeda, financiamento, leasing e arrendamento financeiro, investimento direto, investimento em portfólio, aplicação em derivativos financeiros, imóveis e outros bens.

Fundos de investimento que tenham recursos aplicados no exterior têm de informar o valor total das aplicações em outros países. Já as informações sobre os recibos de ações brasileiras negociados no exterior devem ser fornecidas pelas instituições depositárias. A declaração tem de ser feita pela página do BC na internet (www.bc.gov.br).

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Você já segmentou hoje?

Muitas pessoas, interessadas em Comércio Exterior, acreditam que esta área é composta, única e exclusivamente por legislação. Também é, mas, além de legislação aduaneira, segmento extremamente importante da área, o Comércio Exterior se rege, da mesma forma, por outros tipos de leis. As leis do marketing global. Por isso, vamos por etapas, entendendo primeiro o que é marketing e, na seqüência, aplica-lo ao cenário mundial, entendido aqui, como o cenário do Comércio Exterior. Existem inúmeras definições para o termo marketing, desde as mais clássicas, formulada pelo economista Adam Smith, passando pelo famoso pai do marketing, Philip Kotler, até as mais inovadoras seguindo os conceitos de Jack Welch. Provavelmente existem outros gurus, mas, vou me limitar a estes três. O importante, é que tanto uma como a outra, orbitam o mesmo núcleo: criar valor para os interessados e, o principal interessado é o cliente. Não existe uma tradução direta da palavra marketing. Sabemos que market é mercado, mas, o seu gerúndio, tão bem acomodado na língua inglesa, não encontra respaldo em nossa língua. Seria, baseado naquilo que nos trazem os principais dicionários, mercadologia, cuja significação “é o conjunto de estratégias e ações que provêem o desenvolvimento, o lançamento e a sustentação de um produto ou serviço no mercado consumidor (Aurélio)”. Entretanto, dificilmente, encontramos empresas que usam este vocábulo. Quando alguém faz um planejamento, faz um planejamento de marketing. Isso não importa, o que tem valor é o conteúdo do planejamento. Quanto à embalagem, sua roupagem fica mais elegante, quando usado o vocábulo original, além da facilidade de comunicação. É o que acontece nas grandes cadeias de fast-food. Todos fazemos pedidos “para levar” através do “drive-thru”. E, se a tradução para marketing já é complicada, tente encontrar um significado para este termo. Melhor deixar como está, afinal, não sei se os seus clientes aceitariam encomendar seus lanches no guichê do “dirigir através” ou “através da unidade” como nos sugerem os principais tradutores on-line disponíveis. Vamos então ao conceito de marketing, segundo o livro Gestão de Marketing dos Professores do Departamento de Mercadologia da FGV-EAESP – Editora Saraiva (curiosamente eles usaram o termo mercadologia), conceito este que julguei ser bastante simples e abrangente ao mesmo tempo: “marketing é a função empresarial que cria continuamente valor para o cliente e gera vantagem competitiva duradoura para a empresa, por meio da gestão estratégica das variáveis controláveis de marketing: produto, preço, comunicação e distribuição”. Existem vários outros, como por exemplo, o da American Marketing Association: “processo de planejar e executar a concepção, precificação, promoção e distribuição de idéias, produtos e serviços”. Se analisarmos ambas concepções, perceberemos uma similitude naquilo que desejam transmitir ou, pelo menos, notamos que os famosos quatro “Ps” estão claramente expressos. Com o passar do tempo, as empresas perceberam, que não mais podiam simplesmente “olhar para o próprio umbigo”, produzindo aquilo que bem entendessem, da maneira que queriam ou podiam, fazendo o mercado “engolir goela abaixo” suas mercadorias, ainda que muitas empresas, nos dias atuais, insistam em se administrem sob esta mentalidade. O consumidor passou a ter acesso a um componente altamente relevante: informação. E, através dela, passou a conhecer os seus direitos e, um outro elemento que assustou e, ainda assusta, as empresas que se julgam inatingíveis: a concorrência. A concorrência, principalmente a externa, que se instalou fortemente em nosso país com a abertura de nossa economia ao mundo, brindou aos consumidores um universo quase ilimitado de opções de produtos e serviços. O cliente brasileiro experimentou aquela sensação que as crianças tem quando entram em uma grande loja de brinquedos. Querem tudo e, ao mesmo tempo, não sabem o que querem, com tanta diversidade de modelos, cores, tamanhos, formas, sons e outras características. Mas, se por um lado, os consumidores se regozijaram com o novo advento, as empresas ficaram desesperadas, pelo menos em um primeiro momento. E, enxergaram, que só havia um caminho a seguir, adequar-se à nova realidade. Abrir as portas das empresas para que um caminho inverso fosse trilhado. Não mais a empresa fabricaria o produto e tentaria “empurra-lo” ao mercado. Agora é o mercado que vai dizer o que quer, como quer, quando quer, nas cores que quer e, muitas vezes, pagando o que julgar mais justo. Nascia aqui um sub-conceito dentro do conceito de marketing, o da orientação para o mercado. As empresas se tornaram obrigadas a envolver em suas funções não apenas o cliente, mas, os distribuidores, os concorrentes, os influenciadores e o macro-ambiente. As expectativas de vendas das empresas passam a ser regidas pelo nível de realização das expectativas dos clientes e, estes clientes, formam o universo chamado de mercado de consumo. E, dentro deste mercado, a empresa precisa determinar o seu mercado-alvo e, para isso, precisará colocar em prática as leis do marketing, estabelecendo, em primeiro lugar, qual o segmento de mercado será explorado. E aqui, finalmente, começa a nossa abordagem. Certamente, você já ouviu falar neste termo segmento de mercado. Mas, o que é isso? Será uma parte do mercado? Uma fatia do mercado? Um grupo de consumidores? Façamos primeiro uma rápida interpretação das palavras. Segmento é uma porção de um todo, logo, se este todo é o mercado, o segmento é uma porção deste mercado. Mas, não podemos nos contentar apenas com esta pura interpretação, precisamos trazê-la para o mundo do marketing. E, dentro deste mundo, esta porção ganha uma conotação mais ampla, envolvendo o grupo de consumidores com desejos, necessidades, expectativas e características comuns, mas, distintas de outros grupos. São aqueles clientes que se comportam de maneira semelhante em seu comportamento de compra, de uso do produto, dos benefícios esperados e das preferências, apenas por citar alguns. Agora, que já entendemos, pelo menos superficialmente, o que significa segmento de mercado, podemos, assumir, que ele tanto existe no Brasil, como fora dele. Cada mercado, cada país, possui o seu mercado característico e, naturalmente, os seus respectivos segmentos. Finalmente, para descobrirmos qual é nosso segmento, precisamos, abrir a nossa “Marketing Tool Box” e, tirar de lá, a primeira ferramenta: segmentação de mercado. Utilizaremos nossa “Marketing Tool Box” em uma máquina gigantesca chamada mundo o qual, representa os mercados que desejamos abrir e conquistar. Com esta ferramenta poderemos identificar os grupos de clientes potenciais segundo uma ou mais características, isso no plano interno e, no cenário externo, dividir o mercado mundial em conjuntos distintos de clientes que se comportam de maneira semelhante ou têm necessidades similares. Dispensa mencionar, quão valiosa é esta ferramenta, por isso, ela precisa estar sempre muito bem calibrada. Vale lembrar, que esta ferramenta, é um tipo de chave que funciona com adaptadores de diversos tamanhos, dependendo do tipo de “parafuso” que vamos desapertar em nossa “máquina mundo”. Primeiramente vamos desapertar e, abrir a tampa, analisar o seu conteúdo, o seu funcionamento, colher aquilo que nos interessa e, então, voltamos a fechar a tampa e apertar o parafuso. Cada adaptador desta nossa chave possui um tamanho ou, um nome específico: segmentação demográfica, segmentação socioeconômica, segmentação geográfica, segmentação por benefícios, segmentação por grau de utilização, segmentação psicográfica, segmentação por comportamento, segmentação horizontal versus vertical. Os termos parecem complicados, mas, quando colocarmos o adaptador em nossa chave, encontrando o parafuso certo, a tarefa será relativamente fácil e, o que é mais vantajoso, conheceremos melhor nossos clientes, assim, poderemos servi-lo melhor. Será mais fácil também saber quantos são, quem são, onde estão. Poderemos nos comunicar melhor com eles e, aquilo que é mais importante, identificar melhor, as oportunidades do mercado.

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Destaques da Folha de São Paulo - Mundo

PALESTRA
Durval de Noronha Goyos Jr., do Noronha Advogados e árbitro da OMC, dará a palestra "Brasil: O Gigante Emergente" a membros do World Affairs Council of Connecticut, na quarta, nos EUA.
GUARDANAPO
O grupo Matte, do Chile, está negociando a compra da brasileira Melhoramentos, informa o "El Mercurio". Segundo o jornal, o negócio será feito por meio da Empresas CMPC, controlada pelo grupo. O objetivo do Matte é entrar no segmento de papéis descartáveis (guardanapo e tolhas higiênicas) do Brasil, diz o "El Mercurio".
Moody's aponta possível calote argentino em 2010

Crise derruba arrecadação, e a Venezuela corta ajuda com queda no petróleo

Imposto sobre exportações agrícolas cai 26,7%; moratória de 2001 dificulta acesso a crédito externo, mas governo acena ao mercado

Com arrecadação de impostos e exportações afetadas pela crise mundial, a Argentina enfrentará dificuldades para pagar suas dívidas em 2010, apontou ontem a agência de classificação de risco Moody's.
"A Argentina deverá ter mais que o suficiente para financiar as obrigações de 2009, mas, se a crise continuar a afetar as receitas, 2010 será muito mais desafiador", diz nota da agência, para quem o governo Cristina Kirchner terá que escolher entre "gastos fiscais populares e pagamento de dívidas".
Ontem, a Bolsa de Valores de Buenos Aires sofreu queda de 7,41%, afetada pela tensão no mercado internacional.
O governo argentino terá cerca de US$ 18 bilhões em dívidas a vencer em 2009 e US$ 20 bilhões (o equivalente a 6% do PIB) em 2010. Mas a crise mundial afetou as fontes de receita do governo, como os impostos sobre as exportações agrícolas, cerca de 15% da arrecadação em 2008.
Em janeiro de 2009, por exemplo, a arrecadação desses impostos caiu 26,7% na comparação com 2008, por queda nos preços internacionais de grãos (41% desde o pico de junho), menores saldos comerciais decorrentes de baixas na produção e retenção da safra de soja 2007/08 pelos produtores.
E os sinais de retração econômica se acumulam. O superávit fiscal argentino, que ajudou a sustentar o "crescimento chinês" no período 2003-2008, caiu 41% em janeiro.
"Uma forte queda no superávit primário [poupança oficial para pagar juros] forçaria a Argentina a usar outras fontes de financiamento, como o Banco Central e depósitos no sistema financeiro doméstico, o que reduz as opções de financiamento para 2010", diz a Moody's.
Os canais de financiamento externo estão praticamente fechados para o país desde 2001, ano da moratória de US$ 144 bilhões em dívidas, na maior crise socioeconômica de sua história. A alternativa Venezuela, fonte de crédito ao país nos últimos anos, inviabilizou-se com a baixa do petróleo.
Ciente das dificuldades de caixa, o governo busca acenar aos investidores. No ano passado, chegou a anunciar reabertura de conversas com donos de cerca de US$ 20 bilhões em títulos do país que em 2005 não aceitaram renegociar a dívida. Também abriu negociações com o Clube de Paris (formado por 19 nações credoras) para pagar US$ 6,7 bilhões.
As iniciativas foram engavetadas após o agravamento da crise mundial, mas Cristina continua enviando sinais ao mercado. Nas últimas semanas, conseguiu trocar US$ 6,6 bilhões em títulos emitidos na crise de 2001 por papéis a vencer em 2014.
Para o analista Alejandro Vinisky, o governo não deve ter problemas para pagar sua dívida em 2010 se mantiver a atual política de negociar com credores e reduzir subsídios a setores como o energético. Ademais, afirmou, em última instância poderia recorrer às reservas do Banco Central, hoje em US$ 47 bilhões.

El Al lança voo direto entre SP
e Tel Aviv

A companhia israelense El Al anunciou ontem a criação do voo direto São Paulo - Tel Aviv a partir de 2 de maio. Os três voos semanais, de 15 horas, terão preço inicial de US$ 1.099. A rota será operada por Boeings-777/200.
Haim Romano, CEO da El Al, afirmou que existe demanda de passageiros a negócios e turismo. A expectativa da El Al é aumentar em 17% o fluxo de turistas entre o Brasil e Israel, de 85 mil em 2008 para 103 mil neste ano.
OMC elogia ação brasileira contra o protecionismo

DE GENEBRA

O Brasil recebeu elogios do diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, por sua atitude contra o protecionismo, uma prática que ameaça se tornar uma das piores heranças da crise financeira. Em discurso durante visita à Austrália, Lamy também teve palavras positivas sobre o presidente americano, Barack Obama, e seu pacote de estímulo econômico.
Ao fazer um balanço da economia mundial neste início de ano, Lamy disse que governos asiáticos, especialmente Japão e Coreia do Sul, estavam enfrentando bem a crise, assim como Nova Zelândia e Austrália. Mas nenhum mereceu os elogios que fez ao Brasil.
"Se houvesse um prêmio para esse período, eu acho que o presidente Lula ganharia", disse Lamy, que vem alertando os países para os perigos de sucumbir ao protecionismo.
Em janeiro o Brasil anunciou que iria aplicar restrições a 60% das importações. Mas a decisão foi revertida logo em seguida pelo presidente Lula, temendo ser associado ao protecionismo que o Brasil tanto critica e que voltará a atacar na reunião do G20, em Londres, no mês que vem.
Lamy já tinha incluído um elogio a Lula no discurso que fez aos 153 membros da OMC em fevereiro. Curiosamente, ao ler o texto, ele pulou a frase em que exaltava a resistência do presidente às "pressões protecionistas". Apesar disso, com base no discurso distribuído pela OMC, vários jornais reproduziram o elogio a Lula que Lamy não pronunciou.
Ontem na Austrália, o diretor-geral da OMC também elogiou o pacote de estímulo econômico de US$ 787 bilhões anunciado pelo governo Obama, que, segundo Lamy, aliviou a ênfase no polêmico slogan "Buy American", o carimbo protecionista que fazia parte do plano original.
Mas Lamy não foi longe demais nos elogios ao pacote, preferindo esperar o seu desdobramento. "Todos sabemos que o diabo não está nos detalhes, mas na implementação", disse Lamy. "Vamos ser cautelosos." (MARCELO NINIO)
Lula defende livre comércio contra a crise

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem, em São Paulo, o livre comércio como a única forma de combater a crise econômica global. O presidente disse que os países devem pôr em prática o que o mundo desenvolvido repetiu nas últimas três décadas.
"A saída dessa crise é mais mercado, mais livre comércio e mais concorrência", disse a empresários brasileiros e dos Países Baixos, na Fiesp.
Ele pediu ao premiê holandês, Jan Peter Balkenende, presente no encontro, empenho na reunião do G20 em abril, em Londres. "[Precisamos] reabrir as negociações da Rodada Doha", disse o presidente brasileiro, que prevê o "caos" se as grandes economias do mundo adotarem medidas protecionistas como resposta à crise.
(AGNALDO BRITO)
Barreira argentina afeta 10% das vendas, diz governo

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

As barreiras comerciais adotadas recentemente pela Argentina afetam 10% das exportações brasileiras. O cálculo, feito pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), considera as vendas anuais dos produtos brasileiros vítimas do protecionismo do país vizinho. Em um ano, são menos US$ 1,5 bilhão.
O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral, disse que a conta considera apenas "barreiras comerciais conhecidas", ou seja, adotadas oficialmente, como medidas "antidumping" (que evitam a venda de produtos abaixo do preço de custo). O país vem usando táticas como demora na liberação de licenças não-automáticas para impedir ou atrasar a entrada de importados.
Barral deixou claro que o governo brasileiro está disposto a lutar nos tribunais e citou Nelson Rodrigues para dar o tom da disputa que pode acontecer. "A posição do Brasil é rodriguiana. Todo protecionismo será castigado." O "castigo", disse, será em reclamações na OMC (Organização Mundial do Comércio).
Barral acredita, porém, que o fim do protecionismo argentino não significa aumento das exportações brasileiras para aquele país, pois sobre a redução das vendas também incide a queda na demanda interna.
As exportações do Brasil para a Argentina caíram 44,8% em fevereiro ante o mesmo mês de 2008 e somaram US$ 690 milhões. No primeiro bimestre do ano passado, a Argentina representava 10% das vendas externas brasileiras e agora responde por 7%.
Relatório de comércio dos EUA critica a Rodada Doha e o Brasil

DE WASHINGTON

No primeiro relatório anual sobre comércio exterior divulgado sob o governo de Barack Obama, o escritório federal do setor reforça o temor da comunidade internacional de uma nova onda de protecionismo estimulada pela administração democrata ao endurecer o discurso em relação a Doha.
Sobre as negociações de liberalização do comércio mundial, o texto divulgado ontem pela Secretaria Especial de Comércio Exterior (USTr, na sigla em inglês) diz que ainda há interesse do país por uma conclusão positiva, mas que a atual situação prejudica os EUA.
"Será necessário corrigir o desequilíbrio nas atuais negociações", diz o texto, nas quais os EUA supostamente revelam o que estão dispostos a dar e receber mas não fica claro quanto seus trabalhadores, fazendeiros e empresários perderão.
Sobre o Brasil, mencionado 146 vezes no texto, o texto levanta todos os contenciosos comerciais entre os dois países, diz que o país é um dos líderes em reclamações na Organização Mundial do Comércio (OMC) e critica o que chama de "falta de transparência no sistema de licenciamento de importação" brasileiro.
Em outro momento, elogia a presença do Brasil "na mesa da liderança" das negociações de Doha, para então dizer: China, Brasil e Índia "têm desfrutado um novo nível de influência, e espera-se que aceitem um nível maior de responsabilidade ao tomar decisões comerciais e fazer contribuições que venham a beneficiar não só seus interesses econômicos mas também" os de outros países em desenvolvimento.
Apesar de divulgado agora, o texto foi feito em grande parte ainda sob a batuta da representante comercial do governo de George W. Bush, Susan Schwab. Ron Kirk, o indicado por Barack Obama para sucedê-la, passa por sabatina no Senado nesta semana.
O ex-prefeito de Dallas chega a sua audiência de confirmação sob uma sombra: na segunda, foi revelado que ele deixou de pagar US$ 10 mil devidos em imposto de renda por palestras dadas no início da década.
Vaivém das commodities

MAURO ZAFALON - mauro.zafalon@grupofolha.com.br

DEMANDA MENOR
A demanda por suco de laranja está declinando, o que deverá derrubar os preços que estiveram aquecidos nos últimos dois anos nos EUA. Além disso, o custo dos alimentos no atacado se aproxima do patamar mais baixo em 20 anos, disse Stewart Mann, diretor-executivo do LaSalle Futures Group, em Nova York, à Bloomberg.

ARROZ NO SUL
O início da colheita de arroz em algumas regiões produtoras do Rio Grande do Sul e as vendas estagnadas derrubaram o preço do cereal nas cooperativas da região. O tipo agulhinha em casca foi comercializado a R$ 29,31, em média. Em 30 dias, a redução é de 9,5%.

MANDIOCA
Maior produtor de mandioca do país, com 5,2 milhões de toneladas por ano, o Pará pretende duplicar a produtividade dessa cultura das atuais 16 toneladas por hectare para 30 toneladas, a partir de 2011. A média nacional é de 13 toneladas.

INVESTIMENTOS
A Secretaria de Agricultura paraense investiu R$ 120 mil na criação de 12 campos experimentais. De lá sairão espécies de sementes ideais para cada região do Estado. Cerca de 250 mil famílias se dedicam ao plantio da mandioca no Pará.

AINDA RUIM
O cenário esteve um pouco mais favorável às exportações brasileiras de carnes "in natura" em fevereiro em relação a janeiro. Os exportadores de carne bovina colocaram 66 mil toneladas no exterior no mês passado, 17% mais do que em janeiro, mas 14% menos do que em fevereiro de 2008.

RECUO
Já as vendas de carne de frango "in natura" tiveram quedas em fevereiro, ao somar 232 mil toneladas: 5% em relação a janeiro e 11% em comparação ao mesmo mês de 2008. As vendas de carne suína somaram 41 mil toneladas, com altas de 26% e de 15%, respectivamente.

RECEITAS
Com a queda dos preços externos, as receitas com carne bovina recuaram para US$ 186 milhões no mês passado, 10% mais do que em janeiro, mas 27% menos do que em fevereiro de 2008.

TAMBÉM EM QUEDA
As receitas com as carnes de frango somaram US$ 294 milhões e apresentaram quedas de 13% sobre janeiro e de 30% sobre fevereiro de 2008.

FRANGO A R$ 1,75
O preço do frango começou o mês em queda. Ontem, o quilo da ave viva foi cotado a R$ 1,75 nas granjas do interior paulista. A forte concorrência entre as granjas provocou a redução nos preços, segundo fonte do setor. No mês, a queda acumulada é de 2,8%.
Maior feira de tecnologia do mundo perde 1.545 expositores

FELIPE MAIA
ENVIADO ESPECIAL DA FOLHA ONLINE A HANNOVER

A Cebit, maior feira de tecnologia do mundo, começou ontem em Hannover, Alemanha, com 1.545 empresas expositoras a menos do que na edição passada. O número, no entanto, é considerado "um sucesso" pela organização, dadas as atuais condições da economia do país.
O evento acontece até domingo (8) e vai receber 4.300 companhias de 69 países (14 do Brasil). Os organizadores ressaltam o investimento em tecnologia como uma saída para a crise. Mas, segundo a consultoria IDC, os gastos com TI (tecnologia da informação) vão crescer apenas 0,5% neste ano ante 2008.
Brasil reitera direito de retaliar EUA em US$ 2,5 bi

Disputa é contra subsídios americanos ao algodão

MARCELO NINIO
DE GENEBRA

A longa disputa do Brasil contra os subsídios americanos ao algodão entrou em sua reta final ontem no tribunal da OMC (Organização Mundial do Comércio), mas um desfecho ainda pode estar distante.
O Brasil reiterou ontem seu pedido de aplicar retaliações num montante de US$ 2,5 bilhões, e os Estados Unidos mantiveram uma posição irredutível: não reconhecem a ilegalidade dos subsídios nem oferecem compensações.
Os juízes da OMC devem determinar até o fim de abril o volume e a forma das retaliações às quais o Brasil tem direito, mas, mesmo após a decisão, os EUA poderão recorrer novamente, prolongando a disputa. Nesse caso, entretanto, o Brasil poderia aplicar as sanções enquanto o apelo é examinado.
Na audiência realizada ontem, o embaixador do Brasil na OMC, Roberto Azevedo, reiterou o perigo "sistêmico" de um desfecho sem consequências.
"Se a economia mais poderosa do mundo pode dar subsídios da maneira que dá, causando prejuízo ao mundo em desenvolvimento e sair sem nenhuma consequência, o sistema multilateral de comércio sofrerá um golpe muito sério de credibilidade e legitimidade", disse o embaixador.
Em junho, depois de quase seis anos de disputa, o Brasil obteve uma vitória definitiva contra os subsídios americanos concedidos ao algodão entre 1998 e 2002, abrindo caminho para a aplicação de retaliações bilionárias. A princípio, o Brasil falava em US$ 4 bilhões em sanções, mas, em seguida, reduziu o montante para US$ 2,5 bilhões.
Uma das possibilidades em estudo no Itamaraty é a aplicação de "sanções cruzadas", que atingiriam não somente o setor em questão, o agrícola, mas também serviços e patentes americanas. A opção de suspender direitos de patentes de produtos americanos, porém, pode encontrar obstáculos na própria legislação brasileira, que atualmente não permite essa medida.


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Tecnologia brasileira no México

Folha de São Paulo - Mercado Aberto
A Dimension Data, empresa de TI, começou a exportar em janeiro o serviço de monitoramento do ambiente de comércio eletrônico desenvolvido no Brasil ao México. Em abril, o produto, que permite comparar preços de e-commerce, velocidade e qualidade de sites, também será oferecido no Canadá. Segundo o vice-presidente de operações da empresa, Emerson Murakami, a crise econômica aumentou a procura pelo serviço, que ajuda na definição de preços dos produtos vendidos on-line. "Os preços na internet mudam a toda hora. O software monitora isso a cada cinco minutos." Neste ano, a empresa também planeja oferecer o serviço de monitoramento de operações feitas por conexão via celular.

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