22 de abr de 2009

Brasil e China se reúnem para fortalecer comércio

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, estará em Pequim de hoje a 24 de abril, para a I Reunião da Subcomissão Econômica e Comercial da Comissão Sino Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação. O evento é uma reunião bilateral com membros dos governos brasileiro e chinês, na qual serão avaliados aspectos comerciais e econômicos no intercâmbio entre o Brasil e a China. Na pauta, estão previstos vários temas, dentre eles, análise dos fluxos comerciais bilaterais; harmonização de estáticas; comércio de têxteis e investimentos do Banco na China no Brasil...

No âmbito das Reuniões Bilaterais entre Brasil e China, foi criado, em 2007, um grupo para harmonização de estatísticas de comércio entre os países. A principal discrepância de números está no registro das exportações brasileiras, que apresentam valores em US$ FOB (exportação que inclui o preço de transporte inicial até o embarque da mercadoria), e das importações chinesas, com valores em US$ CIF (inclui no preço de venda o custo da mercadoria, o seguro de transporte e o frete até o porto de destino).

Em 2007 o Brasil registrou US$ 10,7 bilhões FOB de exportações para a China, enquanto este país registrou US$ 18,8 bilhões CIF de importações procedentes do Brasil, ou seja, uma discrepância de US$ 8,1 bilhões. Dentre os principais motivos para essa elevada diferença está o preço do frete dos principais produtos exportados pelo Brasil, a soja e o minério de ferro, que correspondem a 2 ou 3 vezes o valor da mercadoria, respectivamente.

Acordo têxtil

Além disso, expirou, em dezembro de 2008, o memorando de entendimento sobre o fortalecimento da cooperação em comércio e investimentos entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior da República Federativa do Brasil e o Ministério do Comércio da República Popular da China. Como parte integrante deste documento, o governo chinês comprometeu-se a limitar as exportações para o Brasil de produtos têxteis e de vestuários. O acordo foi firmado em 10 de fevereiro de 2006. Está previsto que ocorram novas tratativas sobre o comércio de têxteis e vestuários durante a reunião.

Investimentos

O Banco da China, um dos maiores do mundo em termos de capitalização, prepara-se para abrir em São Paulo sua primeira agência na América do Sul, ao mesmo tempo em que Pequim prepara linhas de financiamento acima de US$ 11 bilhões para o Brasil. Estudo do Deutsche Bank aponta, em meio à crise global, uma segunda onda de investimentos de Pequim no estrangeiro agora acionada por bancos e seguradoras chinesas querendo ser globais, e o Brasil está no radar da potência emergente.

Balança Comercial

O fluxo comercial entre os países mostra que o Brasil apresentou superávit na balança comercial com a China de 2001 a 2006. Entretanto, a partir de 2007 o País apresentou déficit comercial de US$ 1.87 bilhão e em 2008 o saldo negativo saltou para US$ 3.63 bilhões, ou seja, um aumento de 94%. Quanto às exportações brasileiras para a China, observa-se que mais de 90% estão baseadas em produtos de baixo valor agregado (produtos básicos e semimanufaturados). O aumento de 2007 para 2008 de 52,6% no valor total das exportações para China foi puxado principalmente pelo crescimento do valor total das exportações de soja, minério de ferro, petróleo e derivados. Esses produtos representam aproximadamente 73% da pauta exportadora para a China.

No primeiro trimestre de 2009, as exportações nacionais destinadas à China cresceram 62,7%, de US$ 2,1 bilhões em janeiro/março de 2008, para US$ 3,4 bilhões nos três primeiros meses do ano corrente. Com a retração do total das vendas nacionais (-19,4%), no mesmo comparativo, as exportações destinadas à China aumentaram a sua participação no total da pauta brasileira, de 5,4%, para 10,9%. O país asiático foi o segundo maior comprador de produtos brasileiros no trimestre, atrás apenas dos Estados Unidos. No primeiro trimestre de 2008, a China havia sido o quarto maior destino das vendas brasileiras.

As importações de produtos chineses, por sua vez, sofreram retração de 12,8%, na comparação de janeiro/março de 2009 com o mesmo período do ano anterior, ao passar de US$ 4,1 bilhões, para US$ 3,6 bilhões. Com a diminuição das compras totais brasileiras (-21,6%) superior à queda da compra de produtos chineses, a participação destes no total da pauta ampliou-se de 11,5%, no período em análise, para 12,8%. O país foi o segundo maior fornecedor de produtos ao Brasil, mesma colocação de janeiro/março de 2008. O déficit nas relações comerciais com a China diminuiu ao passar de US$ 2,1 bilhões, para US$ 221 milhões.

A corrente de comércio bilateral cresceu 12,5%, ao registrar o total de US$ 7,0 bilhões, contra US$ 6,3 bilhões em janeiro/março de 2008. No primeiro trimestre de 2009, as vendas de produtos para a China foram compostas por 73,1% de produtos básicos e por 26,9% de industrializados. As vendas de produtos básicos evoluíram 93,2% e dos industrializados 13,9%, no comparativo janeiro/março de 2009/2008.

As importações de produtos chineses, em janeiro/março de 2009, foram compostas por 3,5% de produtos básicos e por 96,5% de industrializados. Os produtos industrializados apresentaram retração de 13,0% e os básicos de 5,7%, em igual período comparativo. Já a pauta de importação de produtos provenientes da China, no mesmo período de análise, foi constituída, em sua maioria, de produtos industrializados, 95,7%, com os produtos básicos respondendo por apenas 4,3%. Em relação ao ano de 2007, o grupo que mais cresceu foi o de básicos, com aumento de 168,8%, seguido de manufaturados, 56,2% e semimanufaturados, 15,5%.

Assessoria de Comunicação Social do MDIC
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