16 de mar de 2009

Calçadistas ameaçam demissões e pedem ajuda contra China

BRASÍLIA - A indústria de calçados poderá promover uma nova rodada de demissões se o governo não tomar providências contra as importações do produto da China. Esse foi o recado levado nesta qurta-feira, 11, ao ministro da Indústria e Comércio, Miguel Jorge, pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso. No último trimestre de 2008, o setor dispensou 42 mil trabalhadores.
"Esse surto de demissões, quando 13% dos funcionários perderam o emprego, poderá acontecer de novo no curto prazo se as importações continuarem a crescer", afirmou à Agência Estado após o encontro com o ministro. Segundo ele, o quadro atual requer uma ação de emergência.
A Abicalçados pediu no ano passado a abertura de investigação por prática de dumping contra as importações chinesas de calçados. Cardoso acredita que a adoção de medidas antidumping pode dar fôlego ao setor. Segundo os dados da entidade, as importações de calçados da China cresceram 47%, passando de US$ 209 milhões, em 2007, para US$ 307 milhões em 2008. A expectativa dos empresários é que as compras cheguem a US$ 464 milhões em 2009, o que representaria um aumento de 231% em quatro anos.
Em setembro do ano passado, o setor empregava 336 mil pessoas. Em dezembro, o total caiu para 294 mil funcionários. Cardoso disse que, no último trimestre do ano passado, as demissões foram muito concentradas nas pequenas e médias indústrias. Agora, segundo ele, as grandes empresas que estão chegando ao seu limite. "As empresas estão se afogando em estoques e em férias coletivas", afirmou. Cardoso disse que a sua indústria - a Vulcabras/Azaléia - já concedeu férias que iriam vencer apenas em 2010.

Argentina - Ele disse que o ministro Miguel Jorge não tinha conhecimento da situação atual e prometeu buscar uma solução. Outra reclamação do setor é em relação à perda de mercado na Argentina para produtos da China. Pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior, em fevereiro, a Argentina importou 347 mil pares de calçados do Brasil, contra 507 mil que vieram da Ásia.
Cardoso disse que o governo argentino parou de conceder licenças de importação para os calçados brasileiros. O setor assinou um acordo de limitação de exportações há quatro anos com a condição de que as licenças de importação fossem concedidas em até 60 dias, como mandam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), e de que não houvesse desvio de comércio. O presidente da Abicalçados informou que houve uma queda 51% nas exportações de calçados brasileiros para Argentina em fevereiro deste ano ante o mesmo mês de 2008.
"Isso requer que os governos tomem medidas de reação a essa concorrência desleal que fere as regras da OMC", afirmou. Assim como o Brasil, a Argentina também tem um processo de investigação de dumping contra os calçados chineses. "A colocação de cotas ou de sobretaxas pelos dois países diminuiria muito a temperatura nas relações bilaterais no setor de calçados", avaliou Cardoso. Ele espera que uma solução possa ser discutida na reunião bilateral marcada para a próxima semana em São Paulo. "Sou otimista no sentido de que se possa ter um bom acordo para os dois países."

Veículo: Estadão
Seção: Economia
Data: 11/03/2009
Estado: SP



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