27 de mar de 2009

Uma luz efêmera

O maior grupo de produtores de citros da Flórida está investigando a possibilidade de indústrias de suco brasileiras estarem praticando dumping no mercado americano.
A Florida Citrus Mutual estranha os baixos preços de importação do suco praticados no mercado americano. Estes preços estariam aquém do custo de produção. A organização de produtores baseia-se no fato de que pelo menos uma indústria brasileira esteve vendendo suco no mercado físico enquanto o valor da commodity afundava na ICE Futures. Processo semelhante já envolveu empresas brasileiras em 2005. Em época de crise, os produtores americanos fazem pressão para garantir um pouco mais de proteção do seu governo, já bastante atencioso...
A safra 2010 do Estado da Flórida pode estar ameaçada pelo clima que vigora hoje nos seus pomares: a seca que castiga as principais regiões produtoras do estado impõe que sejam acionados os sistemas de irrigação, o que eleva os custos de produção. A conjugação de altos custos e preços deprimidos pode forçar os citricultores a abandonar a irrigação de seus pomares no crítico momento em que a florada começa a aparecer. No caso desta situação vigorar por mais dois ou três meses, algum impacto negativo haverá na produção da safra vindoura, segundo analistas ouvidos pela agência Blommberg. Nos últimos 60 dias choveu menos da metade do habitual para a região nesta época do ano.

Ainda assim, os preços do FCOJ não se abalaram com o clima. Na verdade, o clima econômico tem repercutido mais nas oscilações do suco em Nova Iorque. Neste mês, permitindo-se especular com a possível estabilização da economia americana e com a reversão no consumo de bebidas, o investidor na ICE Futures viu o contrato mais negociado ganhar 11%, fechando, ontem, em US$0,7725/lb.

Aqui nas plagas brasileiras, a luz que se acendeu no artigo passado logo se apagou: o bom preço pago pela laranja de mercado não se sustentou. Segundo mercadistas consultados, não há demanda. A pêra rio não está com coloração adequada e a tangerina poncã entra no mercado roubando o já escasso apetite por laranjas. Os negócios se realizam na base de R$12,50/cx de pêra rio, na árvore, e hamlim entre R$7,00 e R$8,00/cx.

É a velocidade da luz que espanta, ou a alegria de pobre que dura pouco!

Nesta semana e na próxima, as indústrias de suco começam a coleta de dados para suas estatísticas de produção da próxima safra. Umas buscam a contagem de frutos, outras do número exato de plantas nas propriedades. Informação confiável é um bem precioso no negócio.
Aproveito o ensejo para ecoar a convocação de mobilização dos produtores rurais feita pelo Ministério da Agricultura, conforme noticiado pelo site da Associtrus e outros meios de comunicação, com o objetivo de serem ouvidos como parte essencial da resolução de problemas, interessados colaboradores nas questões ambientais e não como tem acontecido, numa inadequada generalização, como inimigos ou criminosos contumazes.



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