27 de mar de 2009

Não se recupera

Governos não estão resistindo às pressões protecionistas e a criação de barreiras pode reduzir o impacto dos planos de recuperação da economia mundial. O alerta é da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo a OMC, pacotes para relançar as economias ameaçam criar distorções graves e a proliferação de barreiras viola as promessas do G-20, de não ceder ao protecionismo...

Quanto ao Brasil, o País foi o segundo em todo o mundo que mais medidas antidumping iniciou contra produtos importados nos últimos seis meses.

Em levantamento enviado ontem a governos com o objetivo de preparar o debate na cúpula do G-20, a OMC deixa claro que os pacotes dos países ricos para apoiar suas indústrias terão efeitos nocivos para o comércio. Para a entidade, governos precisam entender que parte do efeito de um plano de relançamento da economia seria anestesiado pelas medidas protecionistas.

A OMC admite que muitos governos estão sob pressão de lobbies internos e medidas defensivas que seriam temporárias podem se tornar permanentes. A entidade destaca que, nos primeiros meses da crise, houve alguma resistência ao protecionismo, mas os governos já estariam capitulando. Houve um aumento de tarifas, medidas não-tarifárias e maior uso de medidas de defesa comercial.

Segundo a entidade, não há risco de um protecionismo de alta intensidade. Mas o perigo hoje são as restrições que poderiam lentamente estrangular o comércio internacional e minar a eficiência de políticas para aumentar demanda. O temor da OMC é de que o impacto de todas essas medidas seja uma queda ainda maior do comércio. A previsão é de retração de 9% em 2009.

Um dos pontos de maior preocupação é o impacto dos pacotes de socorro criados principalmente pelos países ricos. Os planos - que já somam 43 em todo o mundo - podem ter impacto positivo e promover o comércio. Mas a OMC admite que alguns deles estão promovendo a discriminação entre produtos estrangeiros e nacionais. Diante de seus tamanhos, os novos pacotes têm o potencial de distorcer o comércio mundial.

Dois setores têm visto crescerem os subsídios: siderurgia e automóveis. Para a OMC, essas ações podem ser distorcivas e os subsídios seriam uma forma de governos protegerem suas indústrias. As medidas ainda prolongariam as operações de empresas ineficientes, além de impedir a concorrência de companhias estrangeiras. No setor automotivo, 12 países adotaram medidas de promoção de consumo ou da produção, entre eles o Brasil. No setor siderúrgico, 11 países adotaram medidas, a maioria protecionistas.

Fonte: O Estado de São Paulo



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