27 de mar de 2009

País exporta US$ 6,4 milhões em mel no mês de fevereiro

Crise ainda não chegou ao setor apícola brasileiro principalmente por causa de reduções na oferta de mel decorrentes de problemas climáticos em vários países
A apicultura brasileira vem mantendo ritmo de crescimento nos valores exportados neste ano. Os números mostram que a crise mundial, que já abateu boa parte do agronegócio do País, ainda não repercutiu no mel.

Em fevereiro deste ano, o Brasil exportou US$ 6,446 milhões, um incremento de 68,4% em relação a janeiro. O crescimento é ainda maior quando comparado com fevereiro do ano passado (US$ 2,105 milhões), representando um forte aumento de mais de 200% na receita de exportação...

Em quantidade, foram 2,797 milhões de quilos, um aumento de 155% na comparação com o mesmo período de 2008 (1,096 milhão de quilos). A venda foi realizada a um preço médio de US$ 2,31 o quilo de mel. “Esse valor associado a uma taxa de câmbio favorável contribui para remunerar melhor as nossas exportações de mel”, destaca o coordenador da nacional da Rede Apicultura Integrada Sustentável (Rede Apis), Reginaldo Resende.

O continente americano continua sendo o maior comprador do mel brasileiro, correspondendo a mais de dois terços da receita total das exportações, ou seja US$ 4,38 milhões. Os Estados Unidos absorveram US$ 4,34 milhões a um preço de US$ 2,15 o quilo.

Para o mercado europeu foram destinadas 31,8% das exportações brasileiras (US$ 2,05 milhões). A Alemanha respondeu por US$ 1,23 milhão. O Reino Unido importou US$ 622,13 mil. Holanda e Bélgica também fizeram parte dos destinos europeus.

Além disso, foi destacada uma exportação residual de mel para o Japão. O volume para esse país representou US$ 15,270 mil em valor e 409 quilos em quantidade. Os dados constam do levantamento consolidado pelo analista Reginaldo Resende. A referência é o Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior via Internet (Alice-Web), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Por estado

São Paulo continua liderando as exportações de mel, sendo responsável por uma receita de US$ 1,445 milhão. Santa Catarina foi o segundo exportador e Ceará, o terceiro. O quarto colocado foi Rio Grande do Sul, seguido do Paraná e do Piauí. O sétimo e o oitavo no ranking de exportação foram Rio Grande do Norte e Minas Gerais.

O melhor preço foi recebido pelo Estado do Paraná, com US$ 2,68 por quilo de mel, bem acima da média nacional. Santa Catarina, Ceará e São Paulo também receberam preços acima da média. Já o menor preço foi recebido pelo Rio Grande do Norte e pelo Rio Grande do Sul: US$ 2,06 por quilo.

Cenário

Segundo Reginaldo Resende, o cenário continuará sendo favorável ao mercado de mel em função de prováveis reduções na oferta de mel decorrentes de problemas climáticos em vários países. “A exemplo temos a seca na Argentina que reduziu a colheita e a safra de 2008-2009 e ainda há previsão de novas quebras por conta da continuidade da estiagem em algumas regiões produtoras daquele país”, diz.

Há também a previsão de redução na produção de mel no Uruguai causada pela seca em algumas localidades e pela mortandade de enxames por uso de inseticidas. Na Austrália, houve perdas de enxames e destruição do pasto apícola em conseqüência dos incêndios.

“Também podemos citar as condições climáticas adversas na Espanha que levou à redução de cerca de 50% na produção de mel da região de Sevilha”, destaca Reginaldo. Em vários países da Europa e dos Estados Unidos ocorreram também perdas de enxames.

“Por conta desse cenário, com baixos estoques mundiais de mel e baixa oferta, o setor apícola brasileiro ainda não sentiu a recessão mundial. Porém, em longo prazo, quando os estoques estiverem mais abastecidos, já se espera uma queda nos preços, que hoje se encontram acima da média histórica”, ressalta.



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