6 de abr de 2009

Quem é o culpado pela crise?

Logo da sua publicação no Brasil, ganhei de meu pai, um exemplar do livro “A Era da Turbulência”, escrito pelo ex-presidente do Federal Reserve Board, Alan Greenspan. Apenas para ilustrar, a edição original fora lançada nos Estados Unidos em 2007, um ano antes do que no Brasil. Existem obras, que merecem uma leitura, uma releitura e, se me permitem a ousadia em neologismar, até mesmo uma “tri leitura”, como forma de entendermos o seu significado ao longo do tempo e, segundo o contexto em que estamos vivendo. Confesso que já havia lido o livro duas vezes e, relutava em fazê-lo uma vez mais, principalmente, após ter assistido ao julgamento inquisitorial, pelo qual passou o autor, e que de ex-poderoso homem do FED, se transformou em Cristo por conta do estouro da bolha da crise atual... Entretanto, como tenho por hábito, ficar sempre com o pé atrás em relação às matérias publicadas em jornais, resolvi entregar-me à mais uma empreitada leitoral. Entretanto, desta última vez, não buscaria apenas conhecer a história e o entendimento da economia mundial, segundo a visão do homem que, teve por um período em suas mãos, o destino econômico da nação mais poderosa do mundo e, por tabela, do resto do mundo. Busquei nesta terceira leitura, segundo meus limitados conhecimentos, algo que eu pudesse considerar como uma irresponsabilidade, um descaso, uma falta de atenção, algo que justificasse toda aquela culpa que lhe foi imputada por conta da crise que assolou o mundo como uma impiedosa tsunami de proporções, até então, inigualáveis. E acho que encontrei. Não posso garantir que, a passagem transcrita mais abaixo, retrata um alerta, feito pelo autor, ao que poderia acontecer ou, se era simplesmente uma massagem no próprio ego, considerando-se responsável pelo bom momento em que vivia a economia americana e a mundial. A verdade, é que encontrei, na página 13 da introdução do livro, um trecho que poderia ter servido de sobreaviso às autoridades econômicas americanas e mundiais ou, pelo menos àquelas que leram o livro. Não se trata aqui de apresentar uma linha de defesa a Alan Greenspan, afinal, se, as palavras são dele, o conhecimento sobre elas, também era e, esperava-se que ele trouxesse o assunto à tona, a tempo de tentarmos levantar barricadas contra a tsunami. Se é que havia tempo. Ao contrário, o que faço aqui é uma acusação à todas estas autoridades mundiais, incluindo as brasileiras que, muito certamente, preferiram fazer vistas grossas e silenciaram-se, pois, sem sombra de dúvidas, conheciam as palavras do ex-mister FED, mas, deixaram o “barco correr solto”, nas águas tranqüilas dos altos juros, do consumo elevado, dos superávits na balança comercial, dos recordes da bolsa de valores enquanto caminhávamos para a “boca do monstro”. É muito provável, que tais autoridades, investidas em suas auras de seres onipotentes e oniscientes, delegaram àquelas palavras a simples pecha de profecias. Pois é, a profecia parece que se confirmou.
Trecho do livro “A Era da Turbulência – Alan Greenspan – página 13”
“O declínio das taxas de juros reais de longo prazo (ajustados pela inflação) durante as últimas duas décadas se associa ao aumento dos índices preço/lucro das ações, dos imóveis e, na verdade, de todos os ativos geradores de renda. O valor de mercado dos ativos em todo o mundo, entre 1985 e 2006, em conseqüência, subiu com mais rapidez que o PIB mundial (2001 foi a exceção notável). Essa situação gerou grande aumento na liquidez mundial. O preço das ações e dos bônus, das moradias, dos imóveis comerciais, das obras de arte e de quase tudo o mais acompanhou o surto de prosperidade. Donos de imóveis em muitos países desenvolvidos aproveitaram o valor crescente da parcela quitada da casa própria para financiar compras além da capacidade aquisitiva gerada por suas fontes de renda. O crescimento do consumo doméstico, sobretudo nos Estados Unidos, absorveu boa parte do surto de exportações oriundas do mundo em desenvolvimento, em rápida expansão...O capitalismo de mercado, a máquina que traciona boa parte da economia mundial, parece estar funcionando bem”. A partir daí, cada qual tem o livre arbítrio para acreditar se a crise era ou não previsível, assim como, a previsibilidade que poderia ter sido feita pelas autoridades econômicas mundiais. É um tremendo absurdo, o mundo agora, querer apenas buscar as soluções, sabendo-se que os verdadeiros culpados continuam no mesmo lugar. Quer dizer, nem todos, porque o bode expiatório, já foi crucificado.



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