16 de abr de 2009

Setor têxtil quadriplica o valor agregado no CE

Com maior valor agregado, os têxteis cearenses perdem em preço apenas para os cariocas (Foto: Silvana Tarelho)Em 2008, o produto cearense teve um valor médio de US$ 47,58, por quilo, acima da média nacional, de US$ 34,88

Em 15 anos, a indústria de vestuário cearense praticamente quadruplicou o valor agregado de suas exportações. Em 2008, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), descontados os insumos utilizados na produção, o produto feito no Ceará teve um valor médio de US$ 47,58, por quilo. Hoje, é o segundo maior do País, atrás apenas do Rio de Janeiro, onde o valor agregado pelas empresas gira em torno de US$ 68 por quilo. A média nacional é de US$ 34,88.

´O Ceará é um dos pólos mais importantes, com uma indústria de tradição, com volume de exportações´, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Aguinaldo Diniz Filho. Ele esteve em Fortaleza para reunião itinerante mensal do Conselho da entidade, realizada ontem, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Na ocasião, fez um balanço das exportações nacionais do setor e analisou o atual panorama econômico.

Países como Argentina, Paraguai, Bolívia, Portugal e Uruguai foram os que mais compraram os produtos cearenses no ano passado. Para Diniz Filho, o aumento de 284% no valor agregado do vestuário feito no Estado se deve à modernização tecnológica do setor. Atualmente, o Ceará alcançou valor médio superior ao de São Paulo (US$ 42,74, por quilo) e Santa Catarina (US$ 25,88), estados que lideram o ranking de exportadores brasileiros.

Para o presidente do Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Estado do Ceará (Sinditêxtil), Ivan Bezerra Filho, o resultado é fruto de pesquisas, além de modernização tecnológica. Ele acredita que o setor têxtil e de confecções do Ceará precisa trabalhar sua infra-estrutura. ´A indústria tem que investir em capacitação não apenas da mão-de-obra, mas do próprio empresariado, na cadeia como um todo´, frisou ele, que também estava presente à reunião.

Entre os produtores nacionais, o Ceará ocupa a sexta posição vindo logo atrás de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro, e responde por 6,1% do PIB têxtil brasileiro. ´Em 2008, a indústria têxtil e de confecção cearense registrou quase 130 mil empregos diretos, dos quais 4,7 mil foram novos postos gerados ao longo do ano. No entanto, com a redução de 2.780 postos de trabalho, em janeiro deste ano, o total caiu para mais de 126 mil empregos diretos´, analisa Diniz Filho. Atualmente, o Ceará tem 5.965 empresas formais, sendo que 5.238 são confecções.

Redução de margens

O presidente da Abit, Aguinaldo Diniz Filho, falou sobre a crise financeira internacional: ´Ela existe, está instalada e é profunda, mas muito dela é crise de confiança. Na crise, se adequa oferta à demanda´. Para minimizar os impactos da crise, o setor têxtil e de confecções já admite perdas nas margens de resultados. ´Não é nada de alarmante. Ainda não temos prejuízo, mas há empresas com sobra de produção e para se desfazer disso fica até com ganho zero´, disse o presidente da Fiec, Roberto Macedo.

Investimentos

Os dois setores receberam US$ 1,5 bilhão de investimentos em todo o País, em 2008. Embora tenha peso na pauta de exportações (no Ceará, quinto maior exportador, estão entre os dez itens mais importantes), têm 93% de sua produção voltados para o mercado interno. Por isso, a entidade defende que o governo federal atue mais efetivamente na defesa comercial — em especial nas condições tributárias, cambiais e ambientais. ´O Brasil não tem competitividade econômica para trabalhar com o dólar a R$ 1,60, como estava antes (da crise). Agora, a R$ 2,30, atingimos o dólar de equilíbrio´ .

Apesar dos efeitos da crise, Aguinaldo crê que a adequação da oferta à demanda, aliada ao reforço no mercado interno, fará com que a indústria têxtil e de confecções cresça acima da média nacional. Em 2008, o faturamento nacional de US$ 43 bilhões representou uma alta de 4% sobre o ano anterior.

Fonte: Diário do Nordeste - CE



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