16 de abr de 2009

Marcopolo adia decisão sobre produção na Rússia

Paralisada desde dezembro por conta dos efeitos da crise mundial sobre a economia do país, a produção de ônibus da Marcopolo na Rússia, em associação com o fabricante local Ruspromauto, poderá ser retomada apenas no primeiro semestre de 2010. O plano original dos sócios era reavaliar as condições do mercado russo neste mês para definir a data da volta das operações, mas a situação continua "ruim", com restrição de crédito para os clientes, e a decisão foi jogada para setembro, disse o diretor de relações com investidores da companhia, Carlos Zignani.

Já está definido que uma das duas fábricas no país, localizada em Golitsino, na região metropolitana de Moscou, não voltará a operar. A produção será concentrada em Pavlov, a 400 quilômetros da capital russa, onde ainda resta um estoque de cerca de 40 veículos rodoviários e micro-ônibus, o suficiente para até três meses de venda no ritmo atual, disse Zignani. Em 2008 as duas unidades produziram 350 ônibus, sendo 50% do volume consolidado pela Marcopolo, e com a unificação das linhas Pavlov terá capacidade de 1,5 mil a 2 mil unidades por ano.

Mesmo com os percalços na Rússia, a Marcopolo vai confirmar amanhã, em reunião do conselho de administração, a previsão de receita líquida consolidada de R$ 2,6 bilhões e de produção de 23 mil ônibus em 2009, ante R$ 2,5 bilhões e 21,8 mil unidades em 2008. Segundo o executivo, a expectativa é que o desempenho melhore no segundo semestre principalmente no mercado interno, puxado pela venda de veículos escolares para as prefeituras como parte do programa Caminhos da Escola, financiado pelo governo federal, enquanto exportações serão beneficiadas pela valorização do dólar.

Para julho ou agosto também está previsto o início da operação da fábrica no Egito em parceria com a GB Auto e no fim do ano a produção da unidade na Índia, em associação com a Tata Motors, deverá passar dos atuais 300 para 1 mil ônibus por mês (com 50% para cada sócio). Na África do Sul as vendas devem crescer para atender a demanda gerada pela Copa do Mundo de 2010, enquanto na Argentina e na Colômbia os níveis de atividade vêm se mantendo. No México, onde foram produzidos 3,2 mil veículos em 2008, a previsão é de uma queda de 10% neste ano devido à influência da crise americana sobre a economia local.

Segundo Zignani, a receita da empresa no primeiro trimestre deverá ficar cerca de 10% abaixo do apurado no mesmo período de 2008 e, no acumulado do semestre, a queda deverá ser um pouco menor. O começo da recuperação é esperado para a segunda metade do exercício, com retorno aos bons tempos em 2010. Mesmo assim, as margens já começam a melhorar por conta dos últimos reajustes de preços, do efeito positivo da desvalorização do real sobre as exportações e da redução de custos de algumas matérias-primas.
fonte: IBS

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