18 de mar de 2009

Previsões

Se a globalização foi a responsável para disseminação da turbulência financeira pelo mundo todo, a globalização também propiciará a saída da crise. A afirmação é do economista Albert Fishlow, professor da Universidade de Columbia, dos Estados Unidos, para quem processo de recuperação da economia brasileira passa, inevitavelmente, pela retomada do crescimento nos países desenvolvidos.
Fishlow está no Brasil para participar do 3º Seminário Internacional de Renda Fixa, organizado pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima) e pela Cetip - Balcão Organizado de Ativos e Derivativos, que será realizado quinta-feira.
O professor não endossou a previsão do Morgan Stanley de que a economia brasileira vai cair 4,5% neste ano.
Apenas disse que a queda é mais rápida do que a recuperação. Há uma semana, Fishlow trabalhava com a previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil poderia crescer 2% neste ano; ontem já falou que a variação pode ser zero. Mas, ressaltou, isso depende de as economias desenvolvidas, especialmente Estados Unidos, União Europeia e Japão, continuarem aumentando gastos para elevar a demanda e criar condições para a recuperação da economia global. Espero que a economia americana e de outros países melhore em 2009 e volte a crescer em 2010, disse Fishlow.
O cenário ideal de recuperação, do ponto de vista de Fishlow, também exclui novas turbulências no sistema financeiro internacional.
Com esse processo de recuperação consolidado ao longo do tempo, Fishlow avalia que já em 2010 seria possível para o Brasil ter crescimento entre 3,5% e 4%. Ele acredita, ainda, que não restam mais dúvidas sobre a necessidade de continuar o ciclo de redução do juro básico, que deve fechar o ano, segundo ele, em 8,5%. Acho que a taxa de juro no Brasil era de fato alta, disse, reforçando que o tempo que o BC levou para iniciar esse processo não foi o esperado.
Mas Fishlow elogiou a política do BC de acumular reservas internacionais. Tem muita gente no Brasil que gosta de criticar o Banco Central, que sempre representa o diabo na história, mas o fato é que se não fossem os US$ 200 bilhões de reservas conseguidos pelo BC, a situação do Brasil hoje poderia estar muito pior, avaliou.
Segundo o economista, o Brasil não tem muito espaço para usar a política fiscal para enfrentar a crise, como estão fazendo outros países por causa das dificuldades de financiar os gastos. pois não pode elevar tanto o déficit nominal - o resultado final das contas públicas, após o pagamento de juros. Ao contrário de grandes economias como EUA, Japão e China, o Brasil não tem uma poupança interna capaz de um financiamento extenso como os que têm sido anunciados pelos países afetados mais intensamente pela crise econômica.
No entanto, já conta com uma redução do superávit primário. Uma redução deve acontecer e vai acontecer. Atualmente a meta estabelecida pelo governo para o superávit primário é de 3,8% do PIB. Na visão de Fishlow, a redução da meta deve ser estabelecida após o Congresso revisar o Orçamento de despesas deste ano, contemplando a provável queda nas receitas do governo com a desaceleração econômica.
Para dar conta da necessidade de investimentos, além de manter a economia aberta, Fishlow acredita que a melhor estratégia é diversificar as exportações, tanto em produtos quanto em mercados. Tem gente que pensa que a melhor estratégia é se fechar, mas eu acho que não, afirmou.


Fonte: Valore Econômico



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