18 de mar de 2009

Apesar da crise, avicultura paranaense foca em novos mercados na China e em Cuba para 2009

Apesar da crise econômica mundial, que fechou as portas para a exportação de diversos produtos brasileiros, o setor avícola paranaense busca em novas alternativas de mercado, com a ampliação de negócios em mercados já consolidados e a conquista de novos centros consumidores, para crescer no ano de 2009. Nesse cenário, dois mercados se tornam como grandes referências para novas negociações para o frango do Paraná: a China, que recentemente abriu suas portas para a importação do frango brasileiro, e Cuba. A projeção é do presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins.
Para facilitar o processo de habilitação das empresas paranaenses para esses dois mercados, estimulando os contratos de negociação com esses países, o Sindiavipar está fazendo um trabalho, em parceria com o Ministério da Agricultura e a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), para conseguir uma habilitação conjunta de todas as empresas que já atuam no mercado internacional para vender para esses dois países. “Nossa estimativa é de que até a metade deste ano o processo já esteja concluído, primeiramente com Cuba e na sequência com a China”, revela o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins.

Outra alternativa para estimular as vendas do frango paranaense encabeçada pelo Sindiavipar, é a participação em feiras internacionais, levando a marca do frango paranaense para mercados em potencial na Ásia e Oriente Médio. Representantes do sindicato e das empresas associadas participaram da Feira de Alimentos em Dubai e ainda marcarão presença nas feiras de Xangai, na China, em maio, e Anuga, na Alemanha, no mês de outubro.

Ajuste de mercado

Temendo um excesso de oferta de frango no mercado interno, devido à queda nas exportações, o segmento propôs a redução no alojamento de corte em 20% desde novembro do ano passado. Este ano, aa avicultura de corte brasileira optou em apliar o ajuste de produção, numa recomendação nacional para se atingir um plantel máximo de 400 milhões de frango de corte alojados por mês. De acordo com o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, a estimativa é de que com esse ajuste da produção o Paraná diminua o abate de cabeças de frango em aproximadamente 12%, comparado à média mensal obtida no ano passado. A média mensal de 2008 foi de 101.843.663 cabeças, com a avicultura paranaense finalizando o ano com o abate de 1.222.123.962 cabeças. Apesar disso, o estado irá se manter como o principal produtor de frango de corte do Brasil, respondendo por aproximadamente 27% da produção nacional.

No acumulado janeiro-fevereiro deste ano já é possível sentir reflexos da diminuição na produção. No período, foram abatidas 184.264.791 cabeças de frango – média de 92.132.395 cabeças por mês, desempenho 9,53% inferior à média de 2008.

As exportações paranaenses também tiveram queda neste início de ano. No acumulado de janeiro e fevereiro, foram exportados 130.853.249 quilos de frango, desempenho 7,21% inferior ao mesmo período do ano passado, quando o Paraná havia exportado 141.023.981 quilos.

O presidente do Sindiavipar destaca que o ajuste de mercado se faz necessário para afastar a possibilidade de crise sobre esse importante setor do agronegócio brasileiro, equilibrando a oferta e o consumo de frango no cenário interno. “Nos últimos meses, estamos enfrentando uma diminuição nas exportações de frango do Brasil, em virtude da crise econômica mundial, que traz como consequência a falta de crédito para viabilizar as exportações nacionais. No último mês, a diminuição nas exportações foi de aproximadamente 50 milhões de cabeças de frango, uma demanda que fica para o consumo interno. Então, para equilibrar a oferta e a demanda, tanto no cenário externo quanto no interno, propomos esse ajuste de produção”, explica Domingos Martins.

Recuperação de preço

De acordo com o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, a decisão do setor avícola brasileiro em promover um ajuste de produção como forma de não sofrer impactos da crise econômica mundial, com uma oferta do produto maior que as demandas externa e interna, trouxe uma rápida reação do mercado internacional. A principal resposta veio na recuperação dos preços no mercado externo. Segundo ele, os preços no mercado externo já demonstram uma recuperação. “Hoje, apesar do momento de crise econômica, os cortes específicos de frango no mercado internacional custam entre 150 e 200 dólares por tonelada a mais que no final do ano passado, o que se torna um alento para a avicultura, que vinha entrando nesse período de crise econômica com muita cautela”, informou.

Domingos Martins avalia que a estimativa nacional do alojamento de fevereiro de 2009 girou em torno de 407 milhões de cabeças. Isso satisfaz a cadeia produtiva, pois vem ao encontro da meta de redução de 20% estabelecida anteriormente, o que permite deixar estabilizado o mercado de oferta e demanda do produto. O presidente do Sindiavipar salienta, ainda, que o Paraná tem respondido ao pleito nacional de redução, com esforço pontual das empresas locais, cada uma dentro das suas condições para cumprir os contratos firmados com o mercado internacional.




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