12 de mar de 2009

Micam registra movimento menor, mas Brazilian Footwear desenvolve novos projetos

Milão/Itália - A crise econômica mundial repercutiu nos corredores da Micam - The ShoeEvent, que encerrou neste sábado (07), em Milão/Itália. O movimento dos visitantes na mostra, que inicou na quarta-feira (04) foi menor e o número deverá ser divulgado pela promotora na próxima semana. Segundo o presidente da Associação Italina de Calçadistas (ANCI), Vito Artioli, este realmente tem sido um momento difícil para o setor calçadista não somente no mercado italiano, mas mundial, porque a falta de crédito para a compra de novos pedidos afeta a todos. "Gostaria de ter uma bola de cristal para falar de perspectivas para este ano", declarou ao grupo de importadores convidados pela entidade para conhecer a feira. A Itália, assim como o Brasil, também vem sendo afetada pelo aumento das importaçoes de calçados chineses e está atuando fortemente junto à Comunidade Econômica Europeia para manter o antidumping contra a China, que deve vencer em outubro deste ano.

Dos 1.611 expositores que a mostra recebeu, 572 eram procedentes de outros países. O Brasil participou com a quinta maior delegaçao ao levar 41 empresas. Elas também sentiram a cautela dos compradores na hora de fechar os pedidos para a próxima estação, que chegam às vitrines em setembro deste ano. A Micam de março lança a coleçao de outono/inverno 2009/2010 para o Hemisfério Norte. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), os brasileiros realizaram vendas na ordem de US$ 5,8 milhões. Para os próximos doze meses, deverão ser negociados outros US$ 40,6 milhões. "Um resultado previsível, uma vez que há uma retração dos importadores devido à instabilidade econômica que está atingindo fortemente a Europa, aponta Heitor Klein, diretor executivo da entidade. Contudo, reforça, é preciso manter o foco no mercado internacional, porque quando a turbulência passar, o Brasil terá um papel muito importante porque nos últimos anos investiu maciçamente na melhoria de seus produtos e tem apresentado coleções de alta qualidade em
acabamento e design. O interesse dos importadores pelo calçado nacional pode ser medido pelos 1,3 mil contatos que as empresas registraram nos quatro dias da feira. A procedência dos visitantes aponta também a globalização cada vez mais acentuada da Micam. Japão, Macau, Líbano, Rússia, Espanha, dentre outros 60 países, estiveram representados.

Momento - Um dos locais que demonstrou o atual momento vivenciado pelo setor calçadista mundial foi o Visitors. Localizado no pavilhão 2, é o espaço mais nobre da feira, com 60 designers de vários países disputando um lugar no concorrido nicho de alto valor agregado. Destes, seis eram brasileiros, que foram selecionados pela promotora. Divididos em dois
estandes, receberam visitas do Japão, Itália, Tailândia, Austrália e Estados Unidos. Alguns efetivaram vendas e outros acertaram o envio de amostras para futuros negócios. "Os lojistas dificilmente deixarão de comprar, mesmo com volume menor, porque os consumidores desta faixa de mercado sempre procuram por novidades", comenta Rosa Barcelos, da marca Luiza Barcelos (Belo Horizonte/MG), na sua segunda participação no Visitors. Ela reconhece que o movimento foi menor, mas que negociou os modelos da próxima estação com clientes já tradicionais. "Não abrimos novos mercados, mas mantivemos o volume, o que é muito bom". Outro ponto destacado pela empresária é o preço do calçado brasileiro, que está mais competitivo. A valorização do dólar frente ao real deu fôlego maior aos calçados brasileiros. "Falta agora o poder aquisitivo voltar", espera.Luiza Barcelos dividiu o estande com as grifes Sylvie Quartara e Cavage, ques estrearam o Visitors em setembro de 2008.

Debutando no Visitors, as marcas Zeferino e Fernando Pires (São Paulo/SP) e Louloux (Novo Hamburgo/RS), formam unânimes ao afirmar que passando a crise global, o Brasil vai "estourar" como fornecedor de calçados autorais. "Há um grande potencial para este nicho. O trabalho deve continuar e o lugar é maravilhoso", destaca Alfredo Mascarenhas, representante da Zeferino. Fernando Pires e Cristiano Bronzatto (estilista da Louloux) echaram pedidos para uma loja exclusiva de Milão. "Sabíamos que o momento nao era adequado, mas apostamos. é uma forma de garantir espaço num local privilegiado e marcar presença para quando a onda negativa for embora", assinala Pires, que ficou seis meses na lista de espera.

As empresas brasileiras estavam localizadas no Pavilhão 4, no estande coletivo do Brazilian Footwear que abrigou as marcas Biondini, Capelli Rossi, Carrano, Dilly, Malu Super Confort, Miucha, Monacci, Stéphanie Classic, Werner, Wolpco, Paralelepypedo, Satryani, Pararaio, Andacco e Francajel. De maneira individual, estiveram Anatomic Gel, Bettarello, Bibi, Bical, Democrata, Grendene, Klin, Pampili, Radames, Sapatoterapia, Via Uno, Studio TMLS, Albanese Studio, Pyramidys by GVD, Villione, Miezko, Cristófoli, Piccadilly, Dumond e Tanara (Dakota). No espaço Visitors, destinado ao segmento de alta moda, participaram Cavage, Luiza Barcelos, Sylvie Quartara, Fernando Pires, Zeferino e Louloux.


Novos projetos para o Brazilian Footwear

Durante a Micam, a Abicalçados acertou a contratação de uma ampla pesquisa sobre o mercado italiano. O trabalho será executado pela Diomedea, empresa especializada em pesquisa e comunicação, cujas conclusões serão apresentadas no Seminário Nacional da entidade, que ocorrerá em julho deste ano, em São Paulo. Segundo Vivian Laube, assessora de marketing do Brazilian Footwear - Programa de Promoção às Exportações desenvolvido pela Abicalçados em parceria com a Apex-Brasil (Agência de Promoção às Exportações e Investimentos), o levantamento será concentrado em dois nichos. O primeiro refere-se ao segmento de alta moda destinado a fornecer informações para o Design Brazil, grupo de empresas e estilistas que criam sapatos autorais. O segundo é para o consumo geral, que irá auxiliar as empresas brasileiras de médios e grandes volumes. "O objetivo é conhecer concretamente o sistema de compra e venda de calçados na Itália. Hoje temos um crescimento de venda para aquele país, mas não encontramos as marcas brasileiras nas lojas e queremos saber porquê", aponta. A pesquisa é qualitativa e deverá trazer a visão dos compradores italianos sobre o calçado brasileiro, a percepçao que eles têm sobre o produto. Posteriormente, irá orientar o calçadista brasileiro sobre como proceder.

Também ficou acertada para o dia 06 de maio a próxima conferência de Imprensa que o Brazilian Footwear irá promover em Milão. No evento, a Abicalçados irá apresentar um panorama sobre o calçado nacional e duas empresas representativas nas suas áreas falarão sobre suas experiências no mercado global. Foram convidadas a Grendene e Cavage. Com perfis distintos, têm em comum a forte ênfase em ampliar suas fronteiras. A primeira é uma das principais fabricantes de calçados do Brasil, reconhecida no exterior pelas marcas Ipanema, cuja garota propaganda é Gisele Bündchen, e Melissa, onde designers do calibre de Vivienne Westwood e Irmãos Campanha criam sapatos e sandálias livremente usando o plástico como matéria-prima. Cavage vem se solidificando como uma grife que faz o que quer com uma forma. Na Micam, dentre vários modelos de conceito Folk, trouxe Odila, uma linha em homenagem à avó de Geane Silva, que a ensinou a fazer crochê. O resultado foram sandálias e mocassins cujo crochê foi feito à mão no atelier da marca. "Foi uma brincadeira de lembrar a infância que deu certo", define Geane, sócia da marca.

Mipel - Outro fato que deverá movimentar o Brazilian Footwear será a presença de bolsas nacionais na Mipel, mostra especializada no segmento de artefatos. A feira acontece simultaneamente à Micam e deverá levar para Milão, em setembro próximo, um pequeno grupo de fabricantes. "Vamos enviar convites aos associados que produzem bolsas e acessórios", explica Vivian.

Elizabeth Renz - Assessora de Comunicação Abicalçados Brazilian Footwear
imprensa@abicalcados.com.br


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