9 de abr de 2009

Brasil e Argentina discutem queda de 39% no comércio bilateral

A queda de 39,1% no intercâmbio comercial entre Brasil e Argentina, no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, foi um dos principais temas discutidos na reunião da Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral realizada hoje (8/4), em São Paulo (SP). A diminuição no consumo foi um dos fatores apresentados como hipótese, mas os dois países voltarão a discutir o assunto na próxima reunião bilateral de comércio, prevista para o dia 30 de abril, em Buenos Aires...

“Estamos naturalmente preocupados com a queda do comércio e fazendo um esforço para vencer as dificuldades que temos em virtude da crise financeira internacional”, explicou o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho, após a reunião. O secretário de Indústria da Argentina, Fernando Fraguío, também destacou que medidas estão sendo tomadas pela Argentina para “garantir que, apesar da crise, se mantenha o entusiasmo do comércio entre os dois países.”

Apesar do resultado preocupante deste ano, Ivan Ramalho lembrou que o ano de 2008 fechou com um intercâmbio comercial inédito superior a US$ 30 bilhões, o que demonstra o grande potencial dessa relação econômica. Os dois secretários são os coordenadores de suas respectivas delegações, nas reuniões comerciais de ambos os países.

Automotivo

O setor automotivo (automóveis, autopeças e motores) se mantêm como principal segmento a ser explorado no comércio bilateral, na avaliação dos dois governos. O segmento respondeu por mais de 40% (US$ 13 bilhões) do comércio entre os dois países, no ano passado. “Pela primeira vez, tivemos importações equivalentes de automóveis. O Brasil importou US$ 2,5 bilhões de automóveis da Argentina, em 2008, mesmo valor vendido àquele país”, destacou.

No comércio de autopeças, porém, a relação continua favorável ao Brasil, em função da utilização de grande quantidade de autopeças produzidas no Brasil em veículos de fabricação Argentina. A preocupação em relação a esse desequilíbrio foi demonstrada por Fernando Fraguío. Segundo ele, o país irá trabalhar para aumentar a quantidade de autopeças argentinas utilizada pelas montadoras do país, além de buscar o aumento na exportação desses produtos.

De acordo com os dois secretários, há grande expectativa de crescimento para o setor, uma vez que, ano passado, Brasil e Argentina importaram US$ 15 bilhões em autopeças de outros países. Para Fraguío, com investimentos para aumento dessa produção, será possível atender a demanda interna dos dois países.

Trigo

A preocupação brasileira em relação à quantidade de trigo argentino que será vendido ao Brasil este ano voltou a ser tema da reunião bilateral, mas o governo da Argentina disse que ainda está fechando os números da produção prevista para 2009. “O Brasil precisa desse número para saber quanto terá que importar de outros países e, se necessário, poderemos voltar a reduzir o imposto de importação desse produto para países de fora do Mercosul”, explicou Ivan Ramalho.

Outros temas discutidos na reunião bilateral de comércio de hoje foram: efeitos das Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) no comércio do Brasil com a Argentina; monitoramento do comércio dos dois países com a China; defesa comercial e Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (TEC). Outro monitoramento que entrou na pauta foi o de produtos da linha branca – refrigeradores, fogões a gás, lava-roupas –, calçados, televisores convencionais e LCD, leite em pó e soro de leite, vinho, farinha de trigo, freios e embreagens, baterias para automóveis, têxteis e confecções, móveis de madeira e máquinas e material elétrico.

Reuniões setoriais

Representantes da iniciativa privada dos dois países, das áreas de áreas de baterias, leite, freios e embreagens também se encontram hoje, em reuniões paralelas, para discutir comércio bilateral. Ontem se reuniram representantes dos segmentos do trigo (farinha de trigo) e de móveis de madeira. Em todas as reuniões, não houve conclusões e novos encontros foram acertados.

As próximas reuniões setoriais estão previstas para os próximos dias 29 e 30 de abril, em Buenos Aires. Nessas datas, deverão se reunir representantes dos setores de linha branca, calçados, motocicletas, elétrico e eletrônico, máquinas e ferramentas, papel e brinquedos.

Corrente de comércio

De janeiro a março de 2009, as exportações brasileiras para a Argentina foram de US$ 2,2 bilhões, redução de 43,7% sobre o mesmo período de 2008 (US$ 3,9 bilhões). Também houve queda nas importações do Brasil, provenientes daquele país. No primeiro trimestre de 2009, as compras atingiram a cifra de US$ 2,1 bilhões, o que resultou na queda de 33,5% em relação a janeiro/março de 2008, quando contabilizou US$ 3,2 bilhões.

A redução na corrente de comércio no período foi de 39,1% - passando de US$ 7,2 bilhões (2008) para US$ 4,4 bilhões nos três primeiros meses deste ano. O resultado provocou declínio no superávit brasileiro em relação ao país – queda de 93,5%, passando de US$ 673,1 milhões para US$ 43,2 milhões. Em março, a Argentina registrou superávit comercial com o Brasil em cerca de US$ 20 milhões.

Mais informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação Social do MDIC


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