14 de mar de 2009

Mercado e gestão são discutidos na Feinco

Mercado e gestão foram os temas abordados nas palestras do IV Congresso Internacional Feinco na manhã de quinta, 12, no Centro de Exposições Imigrantes em São Paulo.
A diretora da Estância Celeiro, um frigorífico de Rondonópolis(MT), falou sobre a importância da interação entre frigoríficos e produtores para o desenvolvimento da ovinocultura no Estado de Mato Grosso. Ela abordou a criação de estratégias para o fomento da cadeia produtiva a fim de que os criadores produzam com a qualidade necessária. "Temos que produzir o que o mercado quer", afirmou. O frigorífico assinou um protocolo de intenções com o governo do Estado de Mato Grosso, que considera a Estância Celeiro como uma empresa âncora para o desenvolvimento da atividade no Estado.

Visão do varejo foi o tema abordado pelo gerente de marketing do Supermercado Andorinha, Murilo Gouveia, que pontuou três itens a serem observados pelos produtores para atender ao mercado. O primeiro deles é a padronização, com abate de animais jovens e com boa cobertura de carcaça. "O consumidor quer o mesmo produto sempre, com o mesmo padrão e o mesmo sabor".

Outro aspecto é o preço, que segundo Gouveia deve ser reformulado. "O valor percebido pelo cliente tem que ser superior ao preço do bovino". Finalmente, o palestrante questionou a definição do público alvo para a carne ovina. "Queremos que a carne ovina seja um produto gourmet, somente para apreciadores ou queremos torná-lo acessível, a exemplo do que aconteceu com a carne suína?", questionou.

O supermercado Andorinha comercializa apenas paleta e pernil congelados para o público das classes C e D. "Ainda não encontramos um fornecedor para carne resfriada com a qualidade necessária", afirmou. Diariamente a empresa vende 7,27 quilos e 2,6 toneladas por ano. "Em dezembro vendemos 13 quilos por dia, mas já passamos dois meses sem comercializar o produto por falta de carne de qualidade".

O produtor Luiz Lisboa falou de sua experiência na criação comercial de ovinos e da pressão para produzir com qualidade, preços competitivos e custos reduzidos. 'Hoje existem vantagens e desvantagens na criação de pequenos ruminantes. Entre as vantagens destacou o retorno do investimento em um tempo menor que na bovinocultura. "As principais desvantagens são o fato de as ovelhas precisarem de cuidados especiais e serem mais exigentes com a alimentação, além da dificuldade de obter mão de obra qualificada", afirmou Lisboa. Mas o produtor ainda vê vantagens na produção de ovinos e apresentou dados em que afirma que a receita bruta na ovinocultura é o dobro da obtida na criação de bovinos.

Cadeia do Cordeiro na Grã-Bretanha O representante da Associação dos Criadores de Texel no Reino Unido, John Yates, falou durante o Congresso sobre a organização da cadeia do cordeiro na Grã-Bretanha. Ele explicou que a indústria ovina é tradicional e que subsídios do governo fizeram aumentar, nos últimos anos, as áreas onde são produzidos ovinos. "Norte da Inglaterra, Irlanda e Gales são as áreas de maior densidade", afirmou. Em toda a Grã-Bretanha existem 255 abatedouros, onde são abatidos 100 mil ovinos por ano e o consumo per capta é de 6,3 quilos anuais. A maior parte do rebanho (40%) é de animais da raça British Texel. Durante dois ou três meses no ano, o mercado é abastecido pela carne importada por questões de sazonalidade na produção. Yates afirma que as instituições atuam para transferir tecnologias para os produtores e fomentar o aumento do consumo por meio de campanhas educativas e informativas."Um percentual do valor de cada animal abatido vai para uma das instituições que realizam este trabalho", explicou.




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