14 de mar de 2009

Presidente da ALL quer tirar caminhões do Porto de Santos

13/03 - “Podem escrever aí: quero tirar os caminhões de Santos”. O desafio foi lançado, nesta quarta-feira (11), em São Paulo, pelo presidente da empresa ferroviária América Latina Logística (ALL), Bernardo Hees. Ele argumenta que um porto da magnitude do de Santos não pode depender somente do modal rodoviário para escoar 30% de nosso PIB. “Prova disso é que, no Mato Grosso, vamos expandir em 250 km as ferrovias. É o Projeto Rondonópolis, para facilitar a saída da soja para os portos. E, além destes R$ 600 milhões, estamos em outro projeto pioneiro. Uma parceria com a Cosan prevê a criação de um corredor de açúcar capaz de movimentar 9 milhões de toneladas ao ano do produto. A idéia é escoar isso por Santos mesmo”.

Nos seus projetos de expansão, a ALL está de olho, também, em três grandes filões de mercado para 2009: grãos, álcool e contêiner. Este último ainda não é um dos focos principais da empresa, admite o diretor-presidente da empresa, por causa da infraestrutura disponibilizada. No exterior, por exemplo, é comum os cofres serem transportados uns sobre os outros, em um sistema “double deck”. No Brasil, essa hipótese fica bastante prejudicada, pois não são poucos os portos cuja malha ferroviária foi construída em áreas fechadas, com túneis por seguidos quilômetros. Mesmo assim, estudos estão sendo feitos.

“É uma fase inicial, até porque sabemos que as dificuldades são muitas. Levar um contêiner sobre o outro só nos traria vantagens, pois a velocidade da locomotiva não precisa ser diminuída e a malha que hoje leva um cofre passaria a levar dois sem despesas para expansão e compra de trilhos. Mas o que faremos com túneis que, em Santos, fazem parte da malha ferroviária que sai do Interior de São Paulo? Vamos continuar os testes e ver se é possível aplicar o conceito de “double deck” em outros portos aqui ou na Argentina”.

A ALL atua também nas regiões de Paso de los Libres, Buenos Aires e Mendoza, na Argentina. E por lá, a conclusão é de que o ano passado poderia ter sido muito mais rentável para ela e outras empresas de logística. Mesmo com uma interrupção de tráfego por 90 dias – culpa de seguidos protestos comandados por agricultores contrários ao aumento das alíquotas nas exportações de grãos – o total de cargas movimentadas no país vizinho subiu 4,5% e a receita obtida a partir dos trilhos portenhos aumentou 19,2% em 2008.

Dos R$ 600 milhões a serem investidos pela ALL em 2009, cerca de R$ 30 milhões (ou 5% do total) desembarcarão no Porto de Santos, o complexo que receberá mais investimento direto da empresa. A maior parte deste recurso será usada na readequação da malha ferroviária existente no cais. Ela será modificada por causa dos avanços das obras da Avenida Perimetral da Margem Direita, que há mais de 12 anos é prometida, mas só agora saiu do papel.

Adequação

Em meio ao furacão causado pela crise global, a ALL anunciou, na capital paulista, que obteve um aumento de 12% no total de cargas movimentadas em 2008 por seus trilhos. O diretor-presidente da corporação, Bernardo Hees, garantiu que não foi feito nenhum corte significativo nas projeções de 2009 e que a quantidade de cargas transportadas por seus 21 mil km de ferrovias deve subir entre 10 e 12% em 2009. Para Hees, não há segredo para seu otimismo destoante em relação ao resto do mercado.

“Na ALL, o custo é que nem unha: cortamos sempre que é possível. Por causa da filosofia, quando a crise se instalou e surpreendeu muita gente, já estávamos adequados. Não temos mais onde fazer cortes, operamos uma máquina enxuta e eficiente. Vamos investir R$ 600 milhões em melhorias no sistema e só estipulamos os 12% de crescimento porque sabemos que nem todo mundo reagiu bem à crise e o humor do mercado é volátil. Não vamos colocar o pé no freio agora, pois o modal ferroviário e sua competitividade não nos permitem isso”.

PortoGente


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