4 de mar de 2009

Governo considera animador resultado da balança comercial em fevereiro

Apesar da crise econômica internacional e da queda das vendas do Brasil para o resto do mundo em relação às do ano passado, as exportações mantiveram, em fevereiro, tendência de crescimento em relação ao mês anterior. O resultado de US$ 9,58 bilhões é 20,9% inferior ao de fevereiro de 2008, mas representa acréscimo de 14,4% ante janeiro de 2009, apesar do carnaval e do menor número de dias úteis do mês.

Os números animaram o governo brasileiro. “Esse resultado, num momento de crise, é um sinal muito bom, principalmente comparado com janeiro”, disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. “Há uma queda de exportações que reflete uma crise mundial, mas parece haver uma luz no fim do túnel quando vemos o dado de mais curto prazo.”

Na comparação com janeiro deste ano, as vendas que mais cresceram foram as de petróleo (81,3%), aviões (68%), celulares ( 58,2%), autopeças (55%), motores e geradores (49,4%), bombas e compressores (35,15), carne bovina (28,7%), café (25,9%) e soja em grão (22%). Em relação a fevereiro de 2008, apesar da queda nos preços internacionais, aumentaram as exportações brasileiras de milho, alumínio em bruto, soja em grão, combustíveis, algodão e frango industrializado. Caíram, entre outros, os embarques de motores de veículos 55,1%), autopeças (36,1) e automóveis (34,4%) – reflexo da crise mundial do setor automotivo, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

As importações registraram em fevereiro movimentação inversa à de anos anteriores. Em vez de aumentarem em fevereiro em comparação com janeiro, como vinha ocorrendo, as compras feitas noutros países encolheram 11,5%, totalizando US$ 7,82 bilhões. As maiores quedas foram nos segmentos de matérias primas para agricultura (43,1%, devido a recuos na quantidade importada e no preço), petróleo (36,5%, também com retração na quantidade e no preço) e equipamentos móveis para transportes – aviões e caminhões (-41,9%, apesar de aumento de 27,6% na quantidade, em razão da baixa de 54,5% no preço).

Na comparação com fevereiro de 2008, a retração nas importações foi de 30,9%. Por segmento, os setores onde as compras brasileiras mais encolheram foram petróleo (47,8%, devido a uma queda de 52,3% nos preços), matérias primas para agricultura (recuo de 75,7%, apesar da alta de 66,6% no preço), produtos alimentícios primários (recuo de 49,6% e produtos minerais (-47)

“O que tem ocorrido é uma contínua queda das importações. Têm caído bens de consumo, mas outros itens, como bens de capital, têm-se mantido, o que é importante para o investimento no Brasil”, ressaltou Barral. Para ele, a queda nas importações não traduz, necessariamente, o desaquecimento da economia brasileira.

O secretário disse que é preciso analisar quais são os setores que estão diminuindo as importações e por quê. No caso da indústria de insumos, por exemplo, a queda nas compras do exterior reflete uma substituição pela produção nacional. “A produção nacional se tornou mais competitiva com relação ao produto importado em razão do efeito cambial, o que é uma tendência natural da adaptação do câmbio e da demanda no Brasil.”

Barral ressaltou ainda que não há redução de itens essenciais para o país, como máquinas industriais. Nesse segmento, o volume de importações caiu apenas 0,3% em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2008 (considerando-se a quantidade) – o que, na avaliação do governo, demonstra estabilidade do setor. Na comparação com janeiro de 2009, houve crescimento de 8,3% nas compras de máquinas industriais. O resultado contraria recentes pesquisas da indústria, que apontam tendência de redução de investimentos em 2009.

O recuo nas importações não preocupa o governo. Pelo contrário. A retração, disse Barral, tem efeito positivo na balança comercial brasileira, cujo superávit caiu nos últimos dois anos. Em janeiro deste ano, a balança chegou a apresentar saldo negativo de US$ 523,7 milhões. Apesar da aparente recuperação, o governo reluta em fixar metas de comércio para 2009. “Há um clima de muita instabilidade, especialmente com relação aos mercados compradores. A crise é lá fora, não é no Brasil, e isso faz com que estejamos avaliando, ainda, a demanda nos principais países compradores”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil

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