4 de mar de 2009

Comércio exterior e conjuntura

Do Estado de São Paulo
O comércio exterior apresentou, em fevereiro, resultado melhor do que em janeiro, com superávit de US$ 1,767 bilhão, ante déficit de US$ 518 milhões.

Na média por dia útil (importante, pois fevereiro contou com apenas 19 dias úteis) houve aumento de 14,4% das exportações e queda de 11,5% das importações - que reflete bem a situação de crise interna da economia brasileira.

Na análise das exportações pela média diária registra-se um aumento de 14,4% das de produtos básicos, ante queda de 21,2% no mês anterior, e também um aumento de 24,9% nas de produtos manufaturados, que tinham tido queda de 37,6% em janeiro. Houve redução de 8,4% na exportação dos semimanufaturados, ante aumento de 12,3% no mês anterior.

O Brasil está sendo afetado pelo protecionismo mundial geral, mas conseguiu reagir bem em fevereiro.

De fato, se considerarmos os clientes do Brasil (sempre pela média diária), verificaremos que nossas exportações aumentaram para a quase totalidade dos países, com destaque para a China (45,6%), a Argentina (25,2%), a União Europeia (15,6%) e os EUA (14%), embora, em relação a fevereiro de 2008, o único país para o qual nossas exportações cresceram foi a China (27,9%), enquanto mostravam queda de 44,8% para a Argentina e de 39,9% para os EUA, o que permite visualizar melhor a retração da economia mundial.

A queda das importações, por sua vez, nos dá o quadro de como foi afetada a economia brasileira. Os bens de capital caíram 10,8%, e já tinham caído 2,5% em janeiro, o que mostra que as empresas desistem, aos poucos, de investir. As matérias-primas e os bens intermediários tiveram queda de 10,2%, enquanto os bens de consumo duráveis recuavam 11,2%, e 28,1% só no caso dos automóveis. As importações de bens de consumo não-duráveis apresentaram crescimento de 10,4%, dando a impressão de que, com a queda das importações de duráveis, cresceu o consumo de não-duráveis (alimentação, bebida, etc.). Finalmente, registra-se queda de 28,1% das importações de combustíveis, devida essencialmente à dos produtos derivados.

Os números do comércio exterior em fevereiro trouxeram um alívio depois dos resultados de janeiro, mas não asseguram ainda que a economia brasileira chegue a um superávit comercial significativo no ano, dada a instável conjuntura internacional e o crescimento do protecionismo.

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