4 de mar de 2009

Comércio entre Brasil e Argentina mantém tendência de queda

As trocas comerciais entre Brasil e Argentina continuam caindo fortemente. Mantendo tendência verificada desde outubro do ano passado, as exportações brasileiras para o país vizinho recuaram 46,5% no primeiro bimestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008, ficando em US$ 1,33 bilhão. As importações de produtos argentinos caíram 41,1%, somando US$ 1,27 bilhão.

Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 10% das vendas do Brasil para a Argentina estão afetadas pelas barreiras comerciais impostas pelo governo de Cristina Kirchner, como medidas antidumping e licenças não-automáticas com prazos superiores aos 60 dias autorizados pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Em valores anualizados de 2008, isso representaria hoje US$ 1,5 bilhão de exportações.

As medidas protecionistas do país vizinho serão tratadas por técnicos dos dois países na próxima semana e, ainda neste mês, pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, durante visita de trabalho da líder argentina ao Brasil. O assunto foi tema de reunião entre ministros dos dois países, em reunião em Brasília no dia 17 de fevereiro.

De acordo com o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, caso as negociações não avancem, o Brasil poderá questionar as práticas protecionistas argentinas na Organização Mundial do Comércio (OMC). “Todo protecionismo será castigado”, disse Barral, parodiando o dramaturgo Nélson Rodrigues. “O Brasil é o país que mais reclama na OMC e vai continuar levando para os foros internacionais o que for necessário”, afirmou.

Mas não são apenas as barreiras comerciais que preocupam o governo brasileiro. O Brasil também está de olho na invasão de leite em pó argentino e abriu investigação, há 15 dias, para verificar práticas desleais de comércio, como triangulação e subfaturamento. No primeiro bimestre do ano, as importações de leite argentino cresceram 11,7% em quantidade e 42,2% em valores (devido a uma queda de 34,7% no preço). “Estamos avaliando qual pode ser o impacto disso e por que esse aumento foi tão abrupto”, informou o secretário.

As maiores quedas, em quantidade, foram verificadas nas importações de automóveis (51,6%), máquinas e equipamentos (50,4%), trigo e outros cereais (49,2%), químicos diversos (48,4%) e combustíveis minerais (38,8%). Com relação às exportações do Brasil para a Argentina, destaque para o crescimento das vendas de siderúrgicos (8% em quantidade e 39,3% em valores graças a uma alta de 28,9% no preço). Os maiores recuos, em quantidade, ocorreram nos setores de ferro fundido (83,2%), borracha e obras (69%), automóveis (61,3%), elétricos e eletrônicos 956,9%) e máquinas e equipamentos (56,55).

Na avaliação de Barral, o recuo nas trocas comerciais não foi afetado apenas pelas barreiras comerciais impostas pela Argentina mas também por fatores como queda da demanda argentina por alguns produtos (como papel, cujas exportações brasileiras caíram 37,6% em quantidade e 34,1% em valores), integração de cadeias produtivas (como no caso do setor automotivo) e efeito cambial.

Com a retração, a fatia da Argentina – segundo principal parceiro comercial do país - nas exportações brasileiras encolheu de 10,1% para 6,7%, e a participação do Mercosul caiu de 12,2% para 8,7%. Em relação às importações brasileiras, a fatia argentina caiu de 9,4% para 7% e a do Mercosul, de 10,6% para 8,7%.

Também caiu a participação dos Estados Unidos, maior parceiro comercial do Brasil, nas exportações brasileiras – de 15% para 12%, devido a um recuo de 38% nos embarques brasileiros para o mercado norte-americano. Já as compras de produtos americanos pelo Brasil cresceram 3,4% no primeiro bimestre – graças, segundo Barral, a operações intrafirmas. Com isso, os Estados Unidos ampliaram sua fatia no total de importações brasileiras de 14,8% para 19,6%.

Também cresceu a participação da China na balança comercial brasileira. Como mercado de destino de produtos brasileiros, a fatia do país asiático passou de 5,4% para 8,6% no primeiro bimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado, conseqüência de uma ampliação de 23,3% nas exportações do Brasil para aquele país. Já as importações de produtos chineses passaram a representar 13,2% do total de compras do Brasil no exterior, contra uma fatia de 11,8% em janeiro e fevereiro de 2008, apesar de uma queda de 12,4% nas importações de produtos chineses. Nesse caso, o que preocupa o governo brasileiro é a entrada cada vez maior de produtos têxteis.

Em janeiro e fevereiro, as importações desse tipo de produto cresceram 80,6% em quantidade e 84,2% em valores. Segundo Weber Barral, vários itens tiveram queda enquanto outros chegaram a ter aumentos de 6.000%. Como no caso do leite em pó argentino, o governo está investigando a eventual prática desleal de comércio por parte dos exportadores chineses de têxteis.

Fonte: Agência Brasil

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