8 de abr. de 2009

Você sabia que o Brasil tem um Polo Internacional de Vinhos? Conheça a rota do vinho e do vale do São Francisco

O Polo Internacional de Vinhos, que reúne os municípios pernambucanos de Petrolina, Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande e Orocó, fabrica bebidas jovens, frutadas e aromáticas. Das 12 vinícolas, 11 estão no Estado de Pernambuco e a produção chega a sete milhões de litros, o equivalente a 23% do total produzido no país.

Alguns vinhos já conquistaram espaço fora do país e são exportados para a Alemanha, Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra e Japão. Hoje, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista possuem cerca de 500 hectares plantados de uvas Vitis Viníferas. Conheça um pouco das caractarísticas turísticas de cada cidade que compõe as cidades da rota.

Petrolina

Também conhecida como a cidade das carrancas. Essas enigmáticas esculturas - compostas apenas de cabeça e pescoço e que misturam feições humanas e animais - eram utilizadas nas embarcações do rio São Francisco, no final do século XIX, para adornar os barcos e afugentar os maus espíritos. Embora as carrancas possam ser encontradas em todas as lojas de artesanato da cidade, alguns escultores são mais notórios - como Ana Leopoldina dos Santos, a Ana das Carrancas, e Gabriel Pereira Filho, o Biu Carranqueiro.

Santa Maria da Boa Vista

A cidade realiza a Festa da Melancia, no mês de março, que reúne 60 produtores da fruta da região, expondo e comercializando produtos derivados da fruta. Entre os produtos à venda, estão geléias, sucos, doces e licores. Também é conhecida por ter uma associação de artesãos cuja sede tem endereço próprio no Mercado Público de Santa Maria da Boa Vista, na Travessa Rosa e Silva, S/N – Centro. Para conhecer quem são eles e os seus mais variados produtos, clique no link abaixo:

Lagoa Grande

Hoje é um pequeno município de Pernambuco em pleno desenvolvimento. Sua atividade principal é a fruticultura (especialmente uvas) e a vinicultura. Suas uvas e vinhos são exportados para vários países, onde já ganharam vários prêmios. A cada dois anos, acontece a Vinhuva Fest, onde os interessados em uvas e vinhos tem a chance de conhecer mais de perto os produtos desse município. Para entender melhor o processo da confecção da bebida de Baco, uma visita a vinícola Garziera, na Fazenda Garibaldina, proporciona o acompanhamento de todo o processo industrial, desde o parreiral até o engarrafamento.

Orocó

Orocó é formado pelo distrito sede e pelos povoados de Agro-Vilas Casa Nova, Vitorino, Sítio Pereira, Projeto Brijada e Remanso. As terras do município foram habitadas primitivamente por indígenas, por ser uma boa área de caça e pesca. O município de Orocó está localizado na mesorregião São Francisco e na Microrregião Petrolina do Estado de Pernambuco, limitando-se a norte com Parnamirim, a sul com Estado da Bahia, a leste com Cabrobó, e a oeste com Santa Maria da Boa Vista.
Fonte: Interjornal




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Escoamento de cargas no Brasil é criticado pela presidente da CNA.

É mais do que sabido, por aqueles envolvidos com o Comércio Exterior brasileiro, que a rubrica transporte tem um peso significativo nos custos do processo. E não é para menos, afinal, ainda é inconcebível que, em um país com as dimensões do Brasil, grande parte de todo o transporte seja feita por caminhões. E não podemos considerar apenas os custos diretos, mas, também a questão da poluição e dos congestionamentos e acidentes. As distâncias são enormes e, queiramos ou não, refletem diretamente no custo final do produto, tanto no mercado interno como no mercado externo. E quem acaba pagando por isso é o consumidor, o exportador, o importador e, por tabela o Brasil. Por isso, fica difícil, quando o presidente da república, avisa que chegou a hora de todos “apertarem os cintos”, pois, nos cintos dos exportadores e importadores já não há lugar para mais furos. Tanto a malha ferroviária, como a malha hidroviária e, aqui podemos até incluir a navegação de cabotagem, precisam passar por um enorme programa de “marketing de revitalização”, seja ele feito através do governo ou, em parcerias com a iniciativa privada. As pesadas estruturas públicas, que hoje comandam a rede ferroviária, precisam de novo oxigênio e, este oxigênio, só pode vir mesmo das mãos dos empresários. Basta olharmos os resultados das privatizações das rodovias, ainda que não estejam naquele grau de perfeição desejado pelos usuários, estão muito melhores do que quando administradas pelos governos. É o velho caso do “core business”. E, é por isso, que a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, não se cansa de reclamar: “Os investimentos em ferrovias não chegam a 3% do PIB e em hidrovias é menos de 1%. Temos vários rios mississipis e temos que aproveitar esta condição”, afirmou a senadora, fazendo alusão ao rio norte-americano, que é de grande importância para e economia dos Estados Unidos. Na visão da senadora, o agronegócio brasileiro poderia crescer ainda mais se o país contasse com uma malha de hidrovias e ferrovias mais eficaz.” E não adianta apenas modernizar e ampliar as matrizes de transporte, na seqüência, serão necessários pesados investimentos na infra-estrutura aeroportuária. Pois, de nada adianta transferir um gargalo de um lugar ao outro. O principal ponto de apoio da questão levantada pela senadora, é o fato do comércio internacional brasileiro estar crescendo na ordem de 12% ao ano e, caso nenhuma iniciativa seja tomada imediatamente, em breve, o sistema entrará em colapso. Dispensa dizer qual será o tamanho do prejuízo para o país. O governo precisa entender que um processo de Comércio Exterior não está limitado às viagens no exterior como forma de apresentar o país e suas oportunidades. Este é o primeiro passo. Logo em seguida, a lista de ações que o envolverão é enorme e, todos juntos formam uma grande máquina. No momento em que uma das engrenagens pára, todo o processo sofre. E em momentos de crise, não podemos perder as oportunidades, por causa de uma infra-estrutura de transporte de baixa qualidade. Os custos da renovação da malha, podem, facilmente ser diluídos, quando associarmos à ela o setor de turismo. Basta imaginarmos o grande potencial latente que existe nesta indústria, porque, atualmente, só podemos conhecer o país, através de aviões ou ônibus. Basta pensar, discutir, planejar, traçar metas e objetivos e “mãos à obra” e como sabemos, obras significam mais empregos. Isto é investimento e não custeio.





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Acre terá polo de subvenção de borracha e castanha-do-brasil

A Conab vai instalar no Acre, ainda este mês, um polo para operação de subvenção aos produtos extrativistas, beneficiando diretamente associações e cooperativas de comerciantes de borracha natural e castanha-do-brasil. A decisão foi tomada nesta semana, em Brasília, após reunião do grupo gestor formado pelos ministérios do Meio Ambiente, da Fazenda, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e da Conab com representantes do governo do estado e da Coopeacre.
O polo será instalado em Rio Branco e em Sena Madureira, primeira comunidade extrativista a participar do programa. Segundo o superintendente de Gestão da Oferta da Conab, Carlos Eduardo Tavares, os recursos oferecidos pelo governo como subvenção ao preço mínimo vai ajudar a economia da região que sofre os efeitos da crise econômica mundial e que reduziu a demanda por produtos extrativistas.
O grupo interministerial decidiu também fazer estudos de viabilidade sócio-econômica para introduzir no programa o látex de campo extraído da seringa e a castanha industrializada, que agregam valores aos produtos e melhora a renda das famílias.
(Raimundo Estevam/Conab)
Meu comentário:
Nem mal falo em agregar valor ao café exportado e vejo esta iniciativa sendo estudada para o látex e a castanha-de-cajú. Este é o caminho, como diz aquele ditado "da vaca só não se aproveita o berro", precisamos fortalecer este conceito de agregação de valor e não nos limitarmos a vender o produto "in natura". E o pior é que acabamos importando o produto pronto feito em outro país, como é o caso do chocolate, assunto tratado em matéria publicada hoje. Agregar valor é gerar empregos!




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Santos lidera exportações de café no primeiro trimestre

O Porto de Santos manteve-se em primeiro lugar no ranking brasileiro de embarques de café, com 5.675.894 sacas registradas no primeiro trimestre do ano. A participação do complexo santista na venda do produto ao exterior foi de 76% neste ano, segundo balanço divulgado ontem pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O Porto de Vitória (ES) é o segundo colocado, com 895.163 sacas (12%), seguido do Rio de Janeiro, que movimentou 703.053 sacas (9,4% do total nacional). Somente no mês de março, o Brasil exportou 2,5 milhões de sacas, ou US$ 340 milhões (R$ 751,4 milhões, pela cotação de ontem). Segundo análise da entidade, houve perda de 12,1% em receita, em comparação com março do ano passado (US$ 387,6 milhões),apesar da variação positiva de 8,1% no volume, tomando como base o mesmo mês. A receita consolidada nos três primeiros meses de 2009 foi de US$ 1.01 bilhão (R$ 2,23 bilhões).Os alemães mostraram que, além de cerveja, gostam também do café brasileiro. Eles foram os campeões em consumo do grão nacional (1.473.998 sacas,ou25,33% do total embarcado), seguidos pelos norte-americanos (1.190.003, ou 15,47%), italianos(785.550,ou7%)e bekgas(609.980,ou6,17%).O mercado europeu comprou 63% do café exportado pelo Brasil. Outros 18% seguiram para a América do Norte e 14%, para a Ásia.

EVOLUÇÃO

A receita obtida pelo Brasil com café no primeiro trimestre é a maior dos últimos seis anos. Em 2004, foi registrado US$ 5,8 bilhões em volume exportado. Desde então, o patamar registrado no período vem oscilando até o pico deste ano.Nos últimos 12 meses (abril de 2008 a março de 2009), foram exportadas 27,07 milhões de sacas de café verde, sendo a maior parte do tipo arábico. Em café solúvel, o volume registrado foi de 3,1 milhões de sacas, totalizando 30,1 milhões no período. A receita dos últimos 12 meses doi de US$ 4,6 bilhões.
fonte: Café e Mercado
Meu comentário:
Mesmo sendo o maior produtor e exportador mundial do produto não elaborado, posição esta que hoje é ocupada pela Alemanha e que, curiosamente, não produz um único grão do produto, o Brasil bem que poderia buscar agregar mais valor às suas exportações e começar a oferecer o produto elaborado, como por exemplo, o solúvel. Afinal, sabemos que ao agregar valor ao item, a cadeia produtiva aumenta e, consequentemente, o número de empregos. Tá na hora do Brasil se valorizar mais. Exportar commodities é um bom negócio, agora se pudermos agregar algo à estas commodities, então, será muito melhor.


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Rússia pode importar menos carne do mundo este ano.

A redução pode chegar aos 20%, atingindo as importações de carne bovina e suína, segundo autoridades daquele país. O ciclo de queda nas importações já se estende desde janeiro, atingindo a marca dos 40%. Só com o Brasil a redução foi de 6%, segundo o MDIC. Acredita-se que em substituição, entrará em cena um aumento no consumo de carnes mais econômicas, como a do frango.
Meu comentário:
Como vai sobrar “boi e porco em pé no pasto”, esperemos que os produtores não repassem suas perdas no mercado externo para a população, que poderia ser beneficiada e ter a oportunidade de fazer um “churrasquinho a mais no fim de semana”.
fonte: Portal do Agronegócio - redação: Blog do Barzan




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Agricultura aprova isenção para importação de máquinas e insumos

A incidência de impostos sobre os insumos utilizados na produção agrícola encarece a atividade e eleva os preços dos alimentos e outros produtos derivados da agricultura.
A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade na última terça (7) um projeto de lei do deputado Valdir Colatto (PMDB/SC). A proposta (PL 3826/2008) concede isenção de Imposto de Importação na aquisição de máquinas, equipamentos e insumos destinados à agricultura. Segundo Colatto, a incidência de impostos sobre os insumos utilizados na produção agrícola encarece a atividade e eleva os preços dos alimentos e outros produtos derivados da agricultura.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (www.fpagropecuaria.com.br) explica que o incremento no preço alcança os produtos destinados ao mercado interno e aqueles que se comercializa para o exterior. “Para o mercado interno é desejável ter preços mais baixos para reduzir o custo da cesta básica para a população. No caso dos produtos comercializados no mercado externo, é inadmissível a exportação de impostos embutidos no custo do produto exportado e, normalmente, a desoneração de impostos é impraticável no momento da exportação, como ocorre com o imposto de importação sobre os equipamentos agrícolas”, argumenta.

Em seu relatório, o deputado Waldemir Moka (PMDB/MS) defendeu a aprovação do PL por entender que a isenção não afeta a produção nacional de máquinas e implementos agrícolas. “A indústria brasileira já está madura. Neste sentido, o projeto é importante porque aumenta a renda do produtor rural e reduz o custo dos alimentos para a população”, salientou o relator.
fonte: Portal do Agronegócio


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Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim?

Quem não se lembra deste famoso jingle, que fazia a alegria da garotada, anunciando a chegada daqueles maravilhosos ovos de chocolate, recheados com guloseimas ainda mais maravilhosas? Talvez, esta pergunta, seja válida apenas para a turma da velha guarda, porque a da nova geração nem sei se tem um jingle para comemorar esta data. É provável que tenha, mas, deve ser bem diferente, já que com toda a variedade de itens produzidos para a época, distribuídos entre formas, tamanhos, cores, sabores, pesos e preços tão distintos, o pobrezinho do coelho precisaria contratar uma empresa de logística para cuidar do transporte. Entretanto, em uma coisa concordamos, o bom e tradicional ovo de Páscoa continua sendo imbatível em todo o mundo. E, como se sabe a matéria-prima principal, deste tão apreciado acepipe, é o chocolate e, sua base, o cacau. Muito bem, chegamos ao cerne do meu texto... Parece que o mundo do cacau brasileiro não anda tão doce como deveria. Pelo menos é o que nos mostra interessante matéria, publicada ontem pelo jornal O Estado de São Paulo e, assinada por Xico Graziano, secretário do meio ambiente do estado. Não vou transcrever a matéria toda, ela está lá disponível para quem quiser ler, apenas vou pinçar alguns detalhes que serão relevantes para o desenvolvimento deste meu texto. Desde já, quero cumprimentar o autor pela relevância do assunto, uma vez que o mesmo só lembrado nesta época. Comecemos então pelos fatos históricos. O cacau é de origem amazônica. Assim como uma infinidade de outras espécies, muitas vezes só lembradas quando alguma empresa estrangeira registra o seu nome, como foi o notório caso do cupuaçu. De acordo com a história, o manejo do cultivo deste fruto pelo homem civilizado, remonta lá ao ano de 1.746. Até aquela data, tanto árvores como frutos, viviam livres, leves e soltas, quer dizer, fixas ao solo, tendo como único colheiteiro, o nativo que vivia na região e estes, não conheciam os coelhos. Por volta de 1.822, bem no auge de nossa independência, a Bahia já era o principal pólo produtor do fruto. O ciclo econômico do produto conheceu o seu momento de glória já em 1.900. Infelizmente, como diz aquela famosa frase “acabou-se o que era doce, quem comeu arregalou-se” e, o Brasil que, desde aquela época, já incomodava alguns importadores com o seu quase exclusivismo na produção e comercialização do fruto, começou a sofrer uma inevitável concorrência por conta de cultivos que surgiam na África e na Ásia. Mesmo tendo sido líder absoluto na produção cacaueira, hoje amarga, apesar do doce do fruto, um quinto lugar no ranking dos produtores mundiais. Em primeiro lugar está a Costa do Marfim com 1.365 toneladas, Gana com 759 mil, Indonésia com 480 mil, Nigéria com 200 mil e finalmente o Brasil com 171 mil toneladas. Os dados se referem ao período 2007/08 fornecidos pela ICCO – Organização Internacional do Cacau. Desta maneira, o continente africano detém 71,8% da produção mundial, a América (Brasil, Venezuela e outros) 12,4% e a Ásia com 15,9%. E já que costumo dizer que o presente é uma foto do passado tratada pelo “photoshop”, em meados do século passado, o aumento da oferta provocou uma queda geral nos preços, inevitavelmente, arrastando consigo a rentabilidade das lavouras. Aqui, abrirei um pequeno parêntesis, para incluir ao texto, uma observação adicional, obtida através da leitura de um livro que recomendo chamado “Brasil – Raízes do Atraso”, do economista e ex-colaborador do IPEA, Fábio Giambiagi. O subtítulo também é bastante curioso: “As dez vacas sagradas que acorrentam o país”. Pois é exatamente uma destas vacas sagradas que pretendo incluir no contexto. É a vaca que trata do protecionismo. Quero antecipar que o autor é contrário a este mecanismo e, por razões plausíveis, assim como eu. Por isso mesmo, vamos enveredar pela linha histórica do protecionismo, chegando lá em seu começo, pelas mãos de Alexander Hamilton, primeiro secretário do tesouro dos Estados Unidos e quem, concebeu a idéia da “proteção à indústria nascente”, talvez, o avô do protecionismo. Posteriormente, o assunto foi desenvolvido por outro grande economista chamado Frederick List. A “proteção à indústria nascente” por definição consistia em afirmar que certos setores industriais, em alguns anos, poderiam se tornar competitivos no âmbito internacional, por isso, era mais do que justificável que se criasse um mecanismo que protegesse esta “indústria nascente” até que ela obtivesse vantagens competitivas. Voltemos ao cacau e sua história no Brasil. Só em 1.957, o governo resolveu criar a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), ficando responsável este órgão pela pesquisa e o apoio à produção nacional. Mais de cinqüenta anos se passaram até que o governo acenasse com uma iniciativa de “proteção à indústria nacional”. O foco da CEPLAC era o de modernizar o sistema de produção. Infelizmente, alguns fatores negativos, como a barreira provocada pela cultura local dos produtores e seus costumes e as forças oligárquicas cacaueiras que comandavam a produção tornaram relativos os sucessos do projeto da CEPLAC. Parece que aqueles que deveriam proteger a indústria nacional, a estavam sufocando por excesso de preciosismo e interesses. E como o tempo, a panacéia para todos os problemas, não pára, chegamos ao tempo da globalização e a produção local, consegue com muito custo, acompanhar a linha do tempo, bastante debilitada. Até que o tiro de misericórdia é dado e o país passa a importar chocolate. O mesmo só não aconteceu com o café, porque as associações de produtores são bastante vigorosas. É triste saber que o país que foi o berço de origem do fruto e que, tornara-se grande exportador de matéria-prima, agora passa a ser importador de chocolate pronto e, finalmente, até da pasta bruta de chocolate. Diria eu que a indústria que era nascente, agora anda muito próximo de ser morrente. E, se pensávamos que o pior já havia acontecido, eis que a bruxa, literalmente falando, se solta. Infelizmente, em 1989, as lavouras são infestadas por um fungo que, desembarcou criminosamente nas lavouras, a chamada “vassoura de bruxa”. Produções são completamente dizimadas. Os prejuízos incalculáveis. Apenas para se ter uma idéia do tamanho do estrago, em 1986 a produção nacional atingia as 460 mil toneladas. Em 2003, este número não passou de 171 mil. Mais de 200 mil empregos desapareceram e, ao final, as perdas foram totalizadas em torno de US$ 1,4 bilhão criando um empobrecimento regional e uma tragédia econômica. Mas, ninguém sabe o tamanho da força deste “gigante adormecido” e, há dez anos, a Embrapa e a Ceplac vem desenvolvendo uma variedade que seja resistente ao fungo. Entretanto, o tempo é o senhor de todas as coisas e, hoje com a brutal queda na produção, o país importa um terço do chocolate consumido. Para se ter uma dimensão dos volumes comercializados pelo mundo, a ICCO divulgou em relatório onde nos mostra que o consumo de cacau no período 2006/07 foi de 3,6 milhões de toneladas. Considerando que cada tonelada esta cotada a algo em torno de US$ 2.000,00 estamos falando em US$ 7,2 bilhões. Um valor nada desprezível. Mas, não podemos apenas nos limitar e enxergar estes números. E os empregos que desapareceram? Se considerarmos toda a cadeia produtiva envolvida no cacau, desde o seu plantio até a chegada nas mãos do consumidor, a quantidade de vagas não criadas é significativa. Imaginemos dividir esta cadeia em três grandes momentos: produção, industrialização e comercialização. Quantas pessoas e empresas não são beneficiadas em cada um destes momentos? Tomemos apenas a produção: agricultores, sementes, fertilizantes, energia elétrica, água, impostos, máquinas e implementos agrícolas, embalagem, estocagem, transporte, fretes, caminhões, pneus, combustível, indústria automotiva e, as aquisições feitas pelos produtores e seus funcionários com os seus lucros e salários. É mais do que provável que os componentes envolvidos sejam em número muito maior, mas, como não sou especialista limito-me a apresentar aqueles que me vêem à cabeça. E se falarmos da industrialização e da comercialização, a cadeia fica ainda maior. Não sei quantos empregos seriam gerados direta e indiretamente, talvez aqueles 200 mil que desapareceram não fossem restituídos, graças às novas tecnologias, mas, pensemos em 100 mil. Ainda assim, é um número pra lá de apreciável. O consumidor de chocolate no mundo exige produtos cada vez mais finos e com maior variedade. Quem é que discute as inúmeras variedades que poderiam ser criadas através da combinação do chocolate com as exóticas frutas brasileiras? Qual não seria o seu potencial? Lembro-me de certa feita ter comido uma mousse de chocolate com calda de cupuaçu. Garanto que a sobremesa faria qualquer chefe de cozinha cair de joelhos. E quem a preparou não foi nenhum especialista na arte. O que não dizer das criações feitas pelas mãos de profissionais? O governo precisa retomar este assunto com urgência e ampliar sua atenção não apenas às grandes commodities, como é o caso da soja. Nem todos se beneficiam deste cultivo, apesar dos grandes volumes envolvidos. O investimento em tecnologia, principalmente na Embrapa, órgão já mundialmente reconhecido, deve ser feito de maneira maciça para que consigamos debelar definitivamente esta praga que assolou nossa produção e, a partir daí, desenvolvermos processos mais avançados de cultivo. Precisamos subir ao quarto, ao terceiro, ao segundo e chegar ao primeiro lugar no ranking de produtores mundiais. Precisamos recuperar este um por cento que hoje é importado e transformá-lo em exportação. Só com comprometimento e força de vontade política poderemos mudar este quadro. Só assim, poderemos ouvir o coelhinho da Páscoa respondendo: “um ovo, dos ovos, três ovos com o chocolate do Brasil”.




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